quinta-feira, outubro 26, 2006
Fica Comigo e Red Road
Fica Comigo se propõe a contar a história de uma mulher que viveu quase toda a sua vida sem ver nem ouvir. A história, sem dúvida, é bonita; já o filme... Temos, mais uma vez, a incompatibilidade de relações, de contatos, em foco; junto com isso, uma fotografia pálida e sem vida, tentando, de forma questionável, realçar as dificuldades em questão. Boa parte do filme é um grande engodo poético, com a história da protagonista sendo contada via legendas, enquanto cenas de sua vida no presente (e de histórias paralelas) vão passando; as imagens parecem não ser muito mais que uma muleta.
As histórias paralelas lidam diretamente com relações que não acontecem; os melhores momentos do filme estão numa delas, em que duas meninas têm uma paixão incompatível. Na outra, momentos fraquíssimos para apresentar a personagem como um homem rude e rejeitado pela família, que não consegue se aproximar de mulher amada, rica e elegante. As duas histórias, num momento digno do pior Iñarrítu, se cruzam, num dos piores planos dessa Mostra.
E o problema que incomoda durante toda a projeção: Eric Khoo compõe seu filme com planos parados e pretensiosos, quase o tempo todo. Mas não consegue filmar bem; vários planos se perdem na sua pretensão e os closes são especialmente ruins.
Red Road é um filme bastante chato e não passa muito disso. Começa focado no trabalho de sua protagnista: ela controla câmeras de vigilância que monitoram vários pontos da cidade; o filme continua nesse foco com a descoberta da mulher, através do monitoramento, que o homem que provocou a morte de seu marido e sua filha foi solto. Porém, na segunda metade do filme, Andrea Arnold parece esquecer a questão voyeurismo, mostrando que aquilo não passava de mero artifício para servir à sua história.
Se na primeira parte o interesse pelo filme já era pequeno, na segunda fica quase nulo. A protaganista vai atrás de uma vingança, que acaba virando, de qualquer jeito, uma redenção psicológica e familiar.
E dois comentários rapidíssimos:
Transe, de Teresa Villaverde, é um filme para o qual não consigo desenvolver, pelo menos ainda, nenhuma opinião. Há planos ótimos, rigorosos, e com um domínio ótimo da disposição dos elementos no quadro. Mas ainda ficam questões sobre andamento do filme, o plano após plano.
E Eu Não Quero Dormir Sozinho, já comentado pelo Sérgio, é um grande filme. Depois da péssima sequência final de seu filme anterior, Tsai faz aqui um dos mais belos planos finais de sua carreira.
As histórias paralelas lidam diretamente com relações que não acontecem; os melhores momentos do filme estão numa delas, em que duas meninas têm uma paixão incompatível. Na outra, momentos fraquíssimos para apresentar a personagem como um homem rude e rejeitado pela família, que não consegue se aproximar de mulher amada, rica e elegante. As duas histórias, num momento digno do pior Iñarrítu, se cruzam, num dos piores planos dessa Mostra.
E o problema que incomoda durante toda a projeção: Eric Khoo compõe seu filme com planos parados e pretensiosos, quase o tempo todo. Mas não consegue filmar bem; vários planos se perdem na sua pretensão e os closes são especialmente ruins.
Red Road é um filme bastante chato e não passa muito disso. Começa focado no trabalho de sua protagnista: ela controla câmeras de vigilância que monitoram vários pontos da cidade; o filme continua nesse foco com a descoberta da mulher, através do monitoramento, que o homem que provocou a morte de seu marido e sua filha foi solto. Porém, na segunda metade do filme, Andrea Arnold parece esquecer a questão voyeurismo, mostrando que aquilo não passava de mero artifício para servir à sua história.
Se na primeira parte o interesse pelo filme já era pequeno, na segunda fica quase nulo. A protaganista vai atrás de uma vingança, que acaba virando, de qualquer jeito, uma redenção psicológica e familiar.
E dois comentários rapidíssimos:
Transe, de Teresa Villaverde, é um filme para o qual não consigo desenvolver, pelo menos ainda, nenhuma opinião. Há planos ótimos, rigorosos, e com um domínio ótimo da disposição dos elementos no quadro. Mas ainda ficam questões sobre andamento do filme, o plano após plano.
E Eu Não Quero Dormir Sozinho, já comentado pelo Sérgio, é um grande filme. Depois da péssima sequência final de seu filme anterior, Tsai faz aqui um dos mais belos planos finais de sua carreira.