sábado, janeiro 19, 2008
11ª Mostra de Tiradentes - a abertura
Ontem começou a Mostra com o filme de Carlão Reichenbach, Falsa Loura. É o primeiro filme do diretor a contar com a nova musa do cinema brasileiro, Rosanne Mulholland. Num texto sobre A Concepção, para uma edição impressa da Paisà, já tinha destacado o trabalho excepcional dessa atriz, e, salvo engano, havia antevisto o futuro próximo de glória que ela teria. Em Falsa Loura não dá para dizer coisa muito diferente do que Carlão disse em seu pronunciamento durante a abertura. O trabalho da atriz é mesmo a principal força motriz do filme. Tudo parece estar incondicionalmente atraído por seu rosto, por sua maneira de falar, seu corpo em cena. Com um número de fusões que deve significar um recorde no cinema recente, Carlão soube respeitar a força da atriz. Mais do que isso, ele cria as situações para que essa força se manifeste de maneira avassaladora. Tem alguns momentos que fazem o filme cair um pouco, notadamente no desgaste da relação dela com o cantor vivido por Cauã Reymond, até uma participação meio sem graça do genial Bertrand Duarte - que havia brilhado em Alma Corsária, do mesmo Carlão. Os momentos de força, entretanto, estão entre os mais tocantes da carreira do diretor, com algumas seqüências verdadeiramente brilhantes.