sexta-feira, novembro 02, 2007
Duas ou três linhas... parte II - indicações para a repescagem
Sexta-feira
Dia de ficar no Bombril, com os não vistos, mas de interesse, Brand Upon the Brain, de Guy Maddin; Beaufort, de Joseph Cedar; Onde os Fracos Não Têm Vez (que o Filipe deve ter visto enquanto eu postava aqui), de Joel Coen; e o bom, e já comentado, Savage Grace, de Tom Kalin.
Sábado
(sem dúvidas o melhor dia da repescagem)
- Mal Nascida, de João Canijo
Com uma câmera inteligentíssima, que persegue a lenta ação e parece indicar os movimentos dos atores, Canijo constrói um drama denso, com o tom de um fado daqueles bem lamuriosos. (Cinesesc 13:00)
- Paranoid Park, de Gus Van Sant
Filme que eu ainda não vi, mas que já ganhou o Jairo Ferreira do Festival do Rio, e vem cheio de boas recomendações. (Cinesesc 15:10)
- Em Paris, de Christophe Honoré
Outro que eu ainda não vi, mas também foi bem elogiado. (Cinesesc 16:50)
- Canções de Amor, de Christophe Honoré
Alguns amigos exageraram com este filme. É simpático e tal, mas tá bem longe de ser o que muitos diziam. Tire a prova no Cinesesc, às 18:40.
- Into the Wild, de Sean Penn
Outro não visto, mas com muitas indicações de amigos. (Cinesesc 20:30)
- I'm Not There, de Todd Haynes
A obra-prima da Mostra. Haynes passeia pelas personalidades de Bob Dylan, e nós, na platéia, ficamos querendo rever várias vezes. (Cinesesc 23:10)
- Go Go Tales, de Abel Ferrara
Uma aposta na loteria que pode salvar o Ruby's Paradise. Já foi chamado de o Killing of a Chinese Bookie do ferrara, o que não está muito longe da verdade. Filme afetuoso - e engraçado como poucos na carreira do diretor. (Bombril 00:00)
Domingo
Passa A França, um belo filme de Serge Bozon; e Redacted, o polêmico filme de Brian De Palma, sobre o qual eu queria rever antes de me pronunciar, mas minha primeira impressão não foi positiva. Porém, se você quiser ver um único filme, tem que ser En La Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerin (Cinesesc 19:00), uma obra-prima do cineasta catalão desconhecido no Brasil, a não ser para quem possuia a TVA no final dos anbos 90 e lembra da exibição de Trem das Sombras, tempos de ousadia que não voltam mais na TV paga.
Segunda-feira
Dia de descansar da Mostra. Nada vale recomendação, a não ser que se queira apostar no escuro, ou encarar a exibição em digital tosco de Heremakono, do grande Abderrahmane Sissako.
Terça-feira
As melhores pedidas estão novamente no Cinesesc. Às 16:30 passa Cristóvão Colombo - o Enigma, de Manoel de Oliveira. É um filme menor, mas é de um gênio, logo, é imperdível. Às 22:20, Vocês, os Vivos, de Roy Andersson. Um belo filme já comentado neste espaço.
Quarta-feira
No Bombril, a retrospectiva Jia Zhang-ke, com as obras-primas Em Busca da Vida e O Mundo, e os excelentes Inútil e Pickpocket. No Cinesesc, Jean Paul Civeyrac, cujos melhores filmes, Através da Floresta e O Doce Amor dos Homens, passam em seqüência, a partir de 14:40.
Quinta-feira
Reserve seu dia para ver ou rever o último filme de um dos maiores do cinema atual. Le Voyage du Balon Rouge, de Hou Hsiao-hsien, passa às 17:00 no Cinesesc.
Dia de ficar no Bombril, com os não vistos, mas de interesse, Brand Upon the Brain, de Guy Maddin; Beaufort, de Joseph Cedar; Onde os Fracos Não Têm Vez (que o Filipe deve ter visto enquanto eu postava aqui), de Joel Coen; e o bom, e já comentado, Savage Grace, de Tom Kalin.
Sábado
(sem dúvidas o melhor dia da repescagem)
- Mal Nascida, de João Canijo
Com uma câmera inteligentíssima, que persegue a lenta ação e parece indicar os movimentos dos atores, Canijo constrói um drama denso, com o tom de um fado daqueles bem lamuriosos. (Cinesesc 13:00)
- Paranoid Park, de Gus Van Sant
Filme que eu ainda não vi, mas que já ganhou o Jairo Ferreira do Festival do Rio, e vem cheio de boas recomendações. (Cinesesc 15:10)
- Em Paris, de Christophe Honoré
Outro que eu ainda não vi, mas também foi bem elogiado. (Cinesesc 16:50)
- Canções de Amor, de Christophe Honoré
Alguns amigos exageraram com este filme. É simpático e tal, mas tá bem longe de ser o que muitos diziam. Tire a prova no Cinesesc, às 18:40.
- Into the Wild, de Sean Penn
Outro não visto, mas com muitas indicações de amigos. (Cinesesc 20:30)
- I'm Not There, de Todd Haynes
A obra-prima da Mostra. Haynes passeia pelas personalidades de Bob Dylan, e nós, na platéia, ficamos querendo rever várias vezes. (Cinesesc 23:10)
- Go Go Tales, de Abel Ferrara
Uma aposta na loteria que pode salvar o Ruby's Paradise. Já foi chamado de o Killing of a Chinese Bookie do ferrara, o que não está muito longe da verdade. Filme afetuoso - e engraçado como poucos na carreira do diretor. (Bombril 00:00)
Domingo
Passa A França, um belo filme de Serge Bozon; e Redacted, o polêmico filme de Brian De Palma, sobre o qual eu queria rever antes de me pronunciar, mas minha primeira impressão não foi positiva. Porém, se você quiser ver um único filme, tem que ser En La Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerin (Cinesesc 19:00), uma obra-prima do cineasta catalão desconhecido no Brasil, a não ser para quem possuia a TVA no final dos anbos 90 e lembra da exibição de Trem das Sombras, tempos de ousadia que não voltam mais na TV paga.
Segunda-feira
Dia de descansar da Mostra. Nada vale recomendação, a não ser que se queira apostar no escuro, ou encarar a exibição em digital tosco de Heremakono, do grande Abderrahmane Sissako.
Terça-feira
As melhores pedidas estão novamente no Cinesesc. Às 16:30 passa Cristóvão Colombo - o Enigma, de Manoel de Oliveira. É um filme menor, mas é de um gênio, logo, é imperdível. Às 22:20, Vocês, os Vivos, de Roy Andersson. Um belo filme já comentado neste espaço.
Quarta-feira
No Bombril, a retrospectiva Jia Zhang-ke, com as obras-primas Em Busca da Vida e O Mundo, e os excelentes Inútil e Pickpocket. No Cinesesc, Jean Paul Civeyrac, cujos melhores filmes, Através da Floresta e O Doce Amor dos Homens, passam em seqüência, a partir de 14:40.
Quinta-feira
Reserve seu dia para ver ou rever o último filme de um dos maiores do cinema atual. Le Voyage du Balon Rouge, de Hou Hsiao-hsien, passa às 17:00 no Cinesesc.
terça-feira, outubro 30, 2007
Nome Próprio
Há um enorme motivo para ver o novo filme de Murilo Salles, e ele se chama Leandra Leal. É simplesmente a melhor atuação de uma atriz jovem no cinema nacional em muitos anos. Leandra torna crível uma personagem que, por não parecer nada real, com suas loucuras e incostâncias exageradas no humor, é tão de carne que senimos que podemos tocá-la na tela. Falta ao filme uma preocupação maior com a posição da câmera, que poderia estar em qualquer lugar, sem a menor diferença. Isso faz com que o filme seja ainda mais de Leandra, num tour-de-force inacreditável. Dizer que sua nudez é gratuita é - mesmo se não levarmos em conta o processo de auto-limpeza pelo qual passa a personagem - é o mesmo que dizer que a blusa vermelha do cara que a hospeda no começo é inverossímel, ou seja, uma bobagem.
Duas ou três linhas sobre alguns filmes da Mostra SP - parte I
Tebas, de Rodrigo Areias
Minha estréia com o pé esquerdo. O filme consegue ser ao mesmo tempo desleixado e pretensioso, exibido em um digital tosco que dava medo.
O Amor Pulsa Mais Rápido que Sangue, de Hideki Kitagawa
Um primeiro filme com muitos momentos talentosos, e uma atriz que está entre as musas do festival. Idéias visuais interessantes, mas uma falta de noção de quando terminar. O filme é curto, e dá a impressão que foi esticado na marra. A melhor exibição digital da Mostra.
Inútil, de Jia Zhang-ke
Poucos diretores trabalham com o espaço de maneira tão brilhante. É bem melhor que Dong, também por Jia se permitir explorar melhoros ambientes, e se libertar bastante da estilista que é a razão primeira do filme.
O Homem de Londres, de Béla Tarr
Muitos se incomodam com a rendição do cineasta à necessidade de narrar uma história. Mas o melhor plano vem dessa necessidade: o choro da mulher ao saber da possível morte do marido. É inferior aos outros filmes que eu vi do diretor - Danação e Satantango -, mas é um grande filme.
Vocês, os Vivos, de Roy Andersson
No mesmo estilo de Canções do Segundo Andar. São sketches mais ou menos independentes, que formam um painel com vidas calcadas na mais dura realidade, mas vividas num ritmo de sonho. É impressionante o que pode caber num plano de Andersson, e a primorosa seqüência da corrida de bagagens pesadas no saguão do aeroporto do filme anterior encontra eco em vários momentos do filme.
Lost Lost Lost, de Jonas Mekas
Inacreditável, ina-cre-di-tá-vel, ina... cre... ditá... vel. Caro diário, caro diário, caro diário.
Glória ao Cineasta, de Takeshi Kitano
A primeira metade é um deleite, lembrando os melhores momentos de seu filme anterior, Takeshi's. Depois, instala-se uma certa pasmaceira, quebrada por ocasionais momentos de gênio.
Savage Grace - Tom Kalin
A esta altura pouca gente se lembra de um filme afetado, mas muito talentoso, chamado Swoon, o Colapso do Desejo (que chegou a estrear no Cinesesc, ficando umas três semanas em cartaz). Savage Grace, do mesmo diretor, é quase tão bom, e surpreende pela maneira como Kalin consegue tocar em tabus sem ser impositivo, sem enfiar o efeito de choque goela abaixo. Algo que Almodovar também faz muito bem.
Caos, de Youssef Chahine e Khaled Youssef
Um filme todo ligeiro, em que os curtos momentos de grande invenção se sucedem com uma velocidade estonteante. Como o corte vem rápido, às vezes temos duas sucessões de planos geniais em menos de um minuto. O filme tem duas barrigas, uma na primeira e outra na segunda parte. Justamente quanto quer deixar de ser inventivo pra fazer andar a história. Curiosamente, é nesses momentos que a história pára. Como a invenção também pára, criam-se pequenas bolhas de ar. Não chega a ser um A Outra, mas é bem melhor que o anterior Alexandria Nova York.
Atrizes, de Valeria Bruni Tedeschi
Um filme simpático, sem dúvida. E Valeria é um assombro de atriz, com uma interpretação que lembra a de Gena Rowlands em Opening Night. Mas, sinceramente, colocar o gay do filme pra cantar "I Will Survive" (de Gloria Gaynor) numa versão descolada de intelectual parisiense é meio ridículo.
A Questão Humana, de Nicolas Klotz
Aprender a fechar os olhos para melhor sentir.
En la Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerin
Trem das Sombras em Strasburgo. O trem é um bonde super moderno, e os atores dentro dele, destacados de todo o entorno - graças às paredes de vidro do bonde - parecem flutuar pelas simpáticas ruas da cidade. Uma obra-prima, de fato.
Minha estréia com o pé esquerdo. O filme consegue ser ao mesmo tempo desleixado e pretensioso, exibido em um digital tosco que dava medo.
O Amor Pulsa Mais Rápido que Sangue, de Hideki Kitagawa
Um primeiro filme com muitos momentos talentosos, e uma atriz que está entre as musas do festival. Idéias visuais interessantes, mas uma falta de noção de quando terminar. O filme é curto, e dá a impressão que foi esticado na marra. A melhor exibição digital da Mostra.
Inútil, de Jia Zhang-ke
Poucos diretores trabalham com o espaço de maneira tão brilhante. É bem melhor que Dong, também por Jia se permitir explorar melhoros ambientes, e se libertar bastante da estilista que é a razão primeira do filme.
O Homem de Londres, de Béla Tarr
Muitos se incomodam com a rendição do cineasta à necessidade de narrar uma história. Mas o melhor plano vem dessa necessidade: o choro da mulher ao saber da possível morte do marido. É inferior aos outros filmes que eu vi do diretor - Danação e Satantango -, mas é um grande filme.
Vocês, os Vivos, de Roy Andersson
No mesmo estilo de Canções do Segundo Andar. São sketches mais ou menos independentes, que formam um painel com vidas calcadas na mais dura realidade, mas vividas num ritmo de sonho. É impressionante o que pode caber num plano de Andersson, e a primorosa seqüência da corrida de bagagens pesadas no saguão do aeroporto do filme anterior encontra eco em vários momentos do filme.
Lost Lost Lost, de Jonas Mekas
Inacreditável, ina-cre-di-tá-vel, ina... cre... ditá... vel. Caro diário, caro diário, caro diário.
Glória ao Cineasta, de Takeshi Kitano
A primeira metade é um deleite, lembrando os melhores momentos de seu filme anterior, Takeshi's. Depois, instala-se uma certa pasmaceira, quebrada por ocasionais momentos de gênio.
Savage Grace - Tom Kalin
A esta altura pouca gente se lembra de um filme afetado, mas muito talentoso, chamado Swoon, o Colapso do Desejo (que chegou a estrear no Cinesesc, ficando umas três semanas em cartaz). Savage Grace, do mesmo diretor, é quase tão bom, e surpreende pela maneira como Kalin consegue tocar em tabus sem ser impositivo, sem enfiar o efeito de choque goela abaixo. Algo que Almodovar também faz muito bem.
Caos, de Youssef Chahine e Khaled Youssef
Um filme todo ligeiro, em que os curtos momentos de grande invenção se sucedem com uma velocidade estonteante. Como o corte vem rápido, às vezes temos duas sucessões de planos geniais em menos de um minuto. O filme tem duas barrigas, uma na primeira e outra na segunda parte. Justamente quanto quer deixar de ser inventivo pra fazer andar a história. Curiosamente, é nesses momentos que a história pára. Como a invenção também pára, criam-se pequenas bolhas de ar. Não chega a ser um A Outra, mas é bem melhor que o anterior Alexandria Nova York.
Atrizes, de Valeria Bruni Tedeschi
Um filme simpático, sem dúvida. E Valeria é um assombro de atriz, com uma interpretação que lembra a de Gena Rowlands em Opening Night. Mas, sinceramente, colocar o gay do filme pra cantar "I Will Survive" (de Gloria Gaynor) numa versão descolada de intelectual parisiense é meio ridículo.
A Questão Humana, de Nicolas Klotz
Aprender a fechar os olhos para melhor sentir.
En la Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerin
Trem das Sombras em Strasburgo. O trem é um bonde super moderno, e os atores dentro dele, destacados de todo o entorno - graças às paredes de vidro do bonde - parecem flutuar pelas simpáticas ruas da cidade. Uma obra-prima, de fato.