sábado, setembro 22, 2007
FYC, O Nome Dela é Sabine e O Expresso Darjeeling
Os três filmes que abriram o Festival do Rio para mim. Christopher Guest é veterano, mas é exibido na Expectativa, um veterano das sátiras. For Your Consideration funciona às vezes, tem um ou outro momento muito bom, em especial com certos personagens periféricos, mas para um filme que brinca de forma tão tranqüila com uma certa idéia da indústria americana, é caretão demais.
O Nome Dela é Sabine dribla todos os prováveis erros, e é um belo filme de Sandrine Bonnaire. A montagem é particularmente o ponto alto.
Já O Expresso Darjeeling mostra um Wes Anderson que não mais possui um estilo, mas sim um tique. Só que a partir desse tique, existe um filme, mais arriscado, menos redondo, mas bem menos óbvio que A Vida Marinha.
O Nome Dela é Sabine dribla todos os prováveis erros, e é um belo filme de Sandrine Bonnaire. A montagem é particularmente o ponto alto.
Já O Expresso Darjeeling mostra um Wes Anderson que não mais possui um estilo, mas sim um tique. Só que a partir desse tique, existe um filme, mais arriscado, menos redondo, mas bem menos óbvio que A Vida Marinha.
O Expresso Darjeeling
De Wes Anderson pode-se dizer que ele está sempre a fazer o mesmo filme; é verdade, as preferências estéticas e temáticas, seus atores e até mesmo sua sensibilidade para com a música pop são tão constantes que a mera opção de incluir Bill Murray numa ponta, em sua engraçadissima e pungente abertura de cinema mudo, é o suficiente para associarmos sua figura triste ao do pai cuja morte assombra os protagonistas. Anderson é provavelmente o cineasta contemporâneo que mais se aproxima de Renoir, e O Expresso Darjeeling se assemelha em muitos pontos com O Rio Sagrado (51), mas sobram referências a diversos outros clássicos ocidentais passados no país, com Anderson construindo uma Índia de cinema que reconfigura elementos de múltiplos filmes, enquanto se afirma como extensão natural do universo do diretor. O Expresso Darjeeling talvez seja o filme mais frenético de Anderson (não à toa seu título é o nome do trem que carrega os personagens na primeira parte do filme), e é de certo o mais direto na maneira com que confronta as suas obsessões. Esta pegada mais direta é o que mais encanta no filme, junto com o trabalho sempre inspirado dos atores. O impacto do cinema de Anderson sempre se relacionou com a maneira com que ele é capaz de lidar com dor, morte, desapontamentos enquanto mantém uma profunda generosidade de espírito para com tudo e todos que cruzam a tela (há uma belíssima epifania próxima ao final do filme cuja força reside justamente na pluralidade do olhar do diretor) e este novo trabalho expande essa dualidade ao máximo. Belo filme.
quinta-feira, setembro 20, 2007
Festival do Rio
Começamos agora nossa cobertura do Festival, fazendo a repescagem com alguns filmes que já tinhamos escrito sobre aqui no blog na ocasião de exibições em eventos anteriores.
Eu não Quero Dormir Sozinho
Tsai Ming-liang já não é mais esperado com entusiasmo por alguns amigos críticos. Pena. Ele não tem culpa de ter virado quase unanimidade no circuito de festivais. Seu novo filme, Eu Não Quero Dormir Sozinho, será certamente acusado de "mais do mesmo", como se isso em si fosse algo negativo. Fosse assim, Bach não seria a unanimidade em música erudita. O novo filme do diretor tem as mesmas composições de Adeus Dragon Inn e Que Horas São Aí? Seus planos continuam explorando o espaço da melhor forma possível, fazendo com que o ator sempre incida numa parte inesperada da tela, mas com destaque. Ele consegue mudar a direção de nosso olhar por pequenas alterações da luminosidade, e aí reside boa parte do encanto formal de seus filmes. Mas tem novidades, além de um tempo de corte diferente e antecipado em algumas cenas: desta vez o casal principal tenta fazer amor mesmo sob fumaças asfixiantes. Após o orgasmo de O Sabor da Melancia, seus personagens encontram forças para brigar pelo que amam. O filme ainda reserva um último plano espetacular, com uma dose de humor peculiar, que só dá mais sabor a este preciso e comovente experimento de um cineasta em seus domínios cinematográficos. (Sergio Alpendre)
Sempre Bela
Manoel de Oliveira realiza aqui uma seqüência perversa para A Bela da Tarde de Buñuel. È mais uma obra-prima tardia do quase centenário cineasta. Um filme de grande beleza que se constrói a partir da lógica do intervalo que o separa do clássico de Buñuel, esteja ele no rosto de Michel Piccoli (que esta magnífico, por sinal), na Paris pelo qual ele passeia ou nos estilos diferentes dos dois cineastas. Sempre Bela é um dos trabalhos mais leves de Oliveira (seus 70 minutos passam muito depressa), chegando por vezes a remeter mesmo a Vou Para Casa, mas com mais força. Um filme para se retornar outras vezes, com certeza. Um dos melhores do ano. (Filipe Furtado)
O Sol
É melhor que Taurus, ainda que isso não signifique muito. Sokurov insiste com a câmera flutuante, sem que saibamos porque ela está flutuando se esse movimento só faz com que nos irritemos. Tem os belos planos de sempre, principalmente quando o diretor resolve parar de mexer a câmera, mas o filme é um dos maiores convites ao sono que vi nos últimos anos, e não tem a força alegórica que poderia se achar em Moloch e Mãe e Filho. Parece que depois de Arca Russa Sokurov perdeu definitivamente a mão. (Sergio Alpendre)
Síndromes e um Século
Uma incógnita: Síndromes e Um Século, filme de Apichatpong Weerasethakul que arrebatou quase todos os amigos, críticos ou não, e que é indiscutivelmente muito bom. Só que é um OVNI, que eu só entenderei depois de umas duas ou três revisões. Ainda não sei se é mesmo uma obra-prima, mas que é imperdível, isso eu sei que ele é. (Sergio Alpendre)
Eu não Quero Dormir Sozinho
Tsai Ming-liang já não é mais esperado com entusiasmo por alguns amigos críticos. Pena. Ele não tem culpa de ter virado quase unanimidade no circuito de festivais. Seu novo filme, Eu Não Quero Dormir Sozinho, será certamente acusado de "mais do mesmo", como se isso em si fosse algo negativo. Fosse assim, Bach não seria a unanimidade em música erudita. O novo filme do diretor tem as mesmas composições de Adeus Dragon Inn e Que Horas São Aí? Seus planos continuam explorando o espaço da melhor forma possível, fazendo com que o ator sempre incida numa parte inesperada da tela, mas com destaque. Ele consegue mudar a direção de nosso olhar por pequenas alterações da luminosidade, e aí reside boa parte do encanto formal de seus filmes. Mas tem novidades, além de um tempo de corte diferente e antecipado em algumas cenas: desta vez o casal principal tenta fazer amor mesmo sob fumaças asfixiantes. Após o orgasmo de O Sabor da Melancia, seus personagens encontram forças para brigar pelo que amam. O filme ainda reserva um último plano espetacular, com uma dose de humor peculiar, que só dá mais sabor a este preciso e comovente experimento de um cineasta em seus domínios cinematográficos. (Sergio Alpendre)
Sempre Bela
Manoel de Oliveira realiza aqui uma seqüência perversa para A Bela da Tarde de Buñuel. È mais uma obra-prima tardia do quase centenário cineasta. Um filme de grande beleza que se constrói a partir da lógica do intervalo que o separa do clássico de Buñuel, esteja ele no rosto de Michel Piccoli (que esta magnífico, por sinal), na Paris pelo qual ele passeia ou nos estilos diferentes dos dois cineastas. Sempre Bela é um dos trabalhos mais leves de Oliveira (seus 70 minutos passam muito depressa), chegando por vezes a remeter mesmo a Vou Para Casa, mas com mais força. Um filme para se retornar outras vezes, com certeza. Um dos melhores do ano. (Filipe Furtado)
O Sol
É melhor que Taurus, ainda que isso não signifique muito. Sokurov insiste com a câmera flutuante, sem que saibamos porque ela está flutuando se esse movimento só faz com que nos irritemos. Tem os belos planos de sempre, principalmente quando o diretor resolve parar de mexer a câmera, mas o filme é um dos maiores convites ao sono que vi nos últimos anos, e não tem a força alegórica que poderia se achar em Moloch e Mãe e Filho. Parece que depois de Arca Russa Sokurov perdeu definitivamente a mão. (Sergio Alpendre)
Síndromes e um Século
Uma incógnita: Síndromes e Um Século, filme de Apichatpong Weerasethakul que arrebatou quase todos os amigos, críticos ou não, e que é indiscutivelmente muito bom. Só que é um OVNI, que eu só entenderei depois de umas duas ou três revisões. Ainda não sei se é mesmo uma obra-prima, mas que é imperdível, isso eu sei que ele é. (Sergio Alpendre)