sábado, janeiro 27, 2007
O Céu Está Azul com Nuvens Vermelhas
Foi a primeira experiência negativa do festival. Descontando, claro, o estado da cópia que foi projetada, e o sumiço do diretor Dellani Lima, que faltou aos testes da projeção. O que vimos foi um arremedo do que o filme pretendia ser, logo, seria injusto descartá-lo como uma experiência sensorial que deu errado. O filme parece apostar muito no azul e no vermelho, e a cópia o exibiu em cores frias, com luz estourada. Pior é que, devido à indisposição do filme em ser cativante, dificilmente será selecionado por outros festivais, o que é uma pena, e espero queimar a lingua.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Lembrando ao leitor que só cheguei a Tiradentes na quarta-feira, logo não vi Querô, e outros filmes que poderiam ter me agradado. Feito o esclarecimento, o que tenho a dizer é que, por enquanto, os dois melhores filmes da Mostra são Conceição e O Quadrado de Joana. Nos dois casos é necessário uma revisão, pois são ambos filmes de proposta difícil, intrincada, que possibilita algumas leituras falsas, ou não tão sustentáveis.
Conceição, de um combo maluco e talentoso formado por André Sampaio, Cynthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro, é filme que se alimenta de uma aparente desconexão de suas histórias. Por mais que fique logo claro que se tratam de filmes imaginários, os pequenos esboços de história que vemos na tela, a desproporção formal entre eles, ou mesmo a diferença narrativa e dramatúrgica, que é difícil lembrar que o filme tem, sim, uma espinha dorsal muito bem definida, que é realçada no final trágico carnavalesco. Essa espinha dorsal foi conseguida apesar de um trabalho de direção que é dividido por cinco, e tinha tudo para sair como um samba do crioulo doido. O que até é, mas ele se resolve dentro de sua própria esquizofrenia. Tenho muito mais o que dizer, mas fica para a versão impressa da revista. É um filme que deveria servir de bandeira, de norte para futuros cineastas.
O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado, é mais complicado, por ser um filme que seu próprio diretor não faz muita questão de defender. Até defende, mas como um produto imperfeito, do qual ele se arrepende de muitas decisões. Creio ter gostado mais do filme do que ele, pois enxerguei nessas imperfeições, um talento para procurar histórias humanas, para entender as relações mais inimagináveis entre eles. Por vezes o filme exagera na geometrização da tela, enchendo-a de quadrados, que funcionam sempre como limites físicos, ou limitações emotivas dos personagens. Mas alguns desses planos geométricos são tão belos, que servem como respiro formal ao filme. os dois exemplos mais marcantes são a marca de giz na parede que prende as formigas, e o casalzinho movido a pilha dançando sobre os ladrilhos. Cenas simples, mas que são captadas com uma emoção bruta, pungente, como se fosse os planos mais arriscados do mundo. Essa aparência de kamikaze que o filme tem é seu ponto mais forte.
Visto ontem, Cine Tapuia, de Rosemberg Cariry, se não desperta o interesse que os dois acima despertam, é plenamente digno em suas escolhas um tanto problemáticas de planos feitos para obter um efeito poético. Ou seja, é pensado demais para ser poesia, mas é tão sincero e emotivo nessa tentativa, que esquecemos a frieza de alguns trechos e ficamos com a beleza dos vários momentos em que a atriz Myrlla Muniz usa sua bela voz para entoar belas canções. Um filme que lida com a música e o cinema da maneira que Cine Tapuia lida não pode deixar de ser apreciado.
Conceição, de um combo maluco e talentoso formado por André Sampaio, Cynthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro, é filme que se alimenta de uma aparente desconexão de suas histórias. Por mais que fique logo claro que se tratam de filmes imaginários, os pequenos esboços de história que vemos na tela, a desproporção formal entre eles, ou mesmo a diferença narrativa e dramatúrgica, que é difícil lembrar que o filme tem, sim, uma espinha dorsal muito bem definida, que é realçada no final trágico carnavalesco. Essa espinha dorsal foi conseguida apesar de um trabalho de direção que é dividido por cinco, e tinha tudo para sair como um samba do crioulo doido. O que até é, mas ele se resolve dentro de sua própria esquizofrenia. Tenho muito mais o que dizer, mas fica para a versão impressa da revista. É um filme que deveria servir de bandeira, de norte para futuros cineastas.
O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado, é mais complicado, por ser um filme que seu próprio diretor não faz muita questão de defender. Até defende, mas como um produto imperfeito, do qual ele se arrepende de muitas decisões. Creio ter gostado mais do filme do que ele, pois enxerguei nessas imperfeições, um talento para procurar histórias humanas, para entender as relações mais inimagináveis entre eles. Por vezes o filme exagera na geometrização da tela, enchendo-a de quadrados, que funcionam sempre como limites físicos, ou limitações emotivas dos personagens. Mas alguns desses planos geométricos são tão belos, que servem como respiro formal ao filme. os dois exemplos mais marcantes são a marca de giz na parede que prende as formigas, e o casalzinho movido a pilha dançando sobre os ladrilhos. Cenas simples, mas que são captadas com uma emoção bruta, pungente, como se fosse os planos mais arriscados do mundo. Essa aparência de kamikaze que o filme tem é seu ponto mais forte.
Visto ontem, Cine Tapuia, de Rosemberg Cariry, se não desperta o interesse que os dois acima despertam, é plenamente digno em suas escolhas um tanto problemáticas de planos feitos para obter um efeito poético. Ou seja, é pensado demais para ser poesia, mas é tão sincero e emotivo nessa tentativa, que esquecemos a frieza de alguns trechos e ficamos com a beleza dos vários momentos em que a atriz Myrlla Muniz usa sua bela voz para entoar belas canções. Um filme que lida com a música e o cinema da maneira que Cine Tapuia lida não pode deixar de ser apreciado.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
10ª Mostra de Cinema de Tiradentes: a chegada
Por conta do fechamento da edição 7 da Paisà, cada vez mais próximo, fiquei trabalhando até seis da manhã em casa, e vim direto para Tiradentes, sem sequer uma horinha de soneca. A viagem de avião é muito rápida, e a de van, com muitos solavancos. Resultado: assisti ao filme Cartola, de Hilton Lacerda e Lírio Ferreira, meio desacordado, mais para um zumbi. a música maravilhosa de vez em quando me despertava. Mas a sensação de que eu só vi uns 40% de filme é grande, apesar de não ter cochilado por nehum minuto. a sensação é a de um transe, em que sentimos o que se passa, mas mal podemos responder às sensações. O filme se assemelha, dentro do que eu pude ver, a um catálogo de participações de amigos, sambistas, parceiros de Cartola. Dialogam com ele, como se a colagem devolvesse a vida ao genial artista. Em alguns momentos o filme parece ser acanhado, pouco experimental. Ainda assim é um filme digno do mestre.
Daqui a pouco, Conceição, filme que preciso ver com atenção para participar do debate de amanhã. Solução: ver o filme de pé. Sempre dá certo.
Daqui a pouco, Conceição, filme que preciso ver com atenção para participar do debate de amanhã. Solução: ver o filme de pé. Sempre dá certo.