quarta-feira, outubro 25, 2006
Só Deus Sabe e Um Certo Olhar
Só Deus Sabe apela para os dispositivos mais simplórios para narrar histórias e tentar criar tensões climáticas.
Pra começar, o filme é muito mal decupado; cada plano vai se sobrepondo ao outro de qualquer maneira, sem conseguirmos compreender o objetivo daquilo, apenas nos jogando situações que, para comprar o filme, teríamos que aceitar sem nenhuma reflexão. Devido a isso, a questão dele se passar em países, culturas diferentes vira uma mera besteira; o filme, em nenhum momentos, dá conta de ambientar todos os lugares que ele se propõe a filmar.
A tentativa de Carlos Bolado de fazer alguma analogia entre as crenças religiosas mexicanas da personagem de Diego Luna com o candoblé é patética. Fazendo uso, em vários momentos, de montagem paralela, ele apenas joga na tela várias informações filmadas de maneira quase alegórica e tentando impôr um ar místico através da câmera e de músicas na trilha sonora.
Bom, isso sem falar nos usos de câmera lenta e rápida, constrangedores.
Um Certo Olhar tem seus bons momentos. Quase sempre os mais despretensiosos, quando Marc Evans se deixa levar pelo momento sem se importar com "mensagens" (seja social ou que sirva a narrativa do filme).
Porém, algumas coisas incomodam muito. O filme insiste em fazer comédia com situações que seriam típicas da convivência cotidiana com uma pessoal autista; algo que não seria necessariamente ruim, mas aqui Evans parece usar suas personagens pra conquistar o espectador, alternando o nível de consciência da personagem de Sigourney Weaver quando lhe interessa.
E a psicologia de botequim da personagem de Alan Rickman é irritante. São as formas mais simplórias de se abordar medos e traumas. Um homem que precisa reviver um trauma pra conseguir superá-lo, passando por cada etapa óbvia da redenção.
Pra começar, o filme é muito mal decupado; cada plano vai se sobrepondo ao outro de qualquer maneira, sem conseguirmos compreender o objetivo daquilo, apenas nos jogando situações que, para comprar o filme, teríamos que aceitar sem nenhuma reflexão. Devido a isso, a questão dele se passar em países, culturas diferentes vira uma mera besteira; o filme, em nenhum momentos, dá conta de ambientar todos os lugares que ele se propõe a filmar.
A tentativa de Carlos Bolado de fazer alguma analogia entre as crenças religiosas mexicanas da personagem de Diego Luna com o candoblé é patética. Fazendo uso, em vários momentos, de montagem paralela, ele apenas joga na tela várias informações filmadas de maneira quase alegórica e tentando impôr um ar místico através da câmera e de músicas na trilha sonora.
Bom, isso sem falar nos usos de câmera lenta e rápida, constrangedores.
Um Certo Olhar tem seus bons momentos. Quase sempre os mais despretensiosos, quando Marc Evans se deixa levar pelo momento sem se importar com "mensagens" (seja social ou que sirva a narrativa do filme).
Porém, algumas coisas incomodam muito. O filme insiste em fazer comédia com situações que seriam típicas da convivência cotidiana com uma pessoal autista; algo que não seria necessariamente ruim, mas aqui Evans parece usar suas personagens pra conquistar o espectador, alternando o nível de consciência da personagem de Sigourney Weaver quando lhe interessa.
E a psicologia de botequim da personagem de Alan Rickman é irritante. São as formas mais simplórias de se abordar medos e traumas. Um homem que precisa reviver um trauma pra conseguir superá-lo, passando por cada etapa óbvia da redenção.