quinta-feira, janeiro 11, 2007
II Festival de Atibaia - Dia 10 - Franceses e brasileiros
Nesta quarta, resolvi ir a Atibaia só depois do almoço, para ver a cabine do novo filme do Woody Allen, Scoop, mas o filme atrasou, fazendo com que eu quase perdesse a sessão de curtas franceses. Pouco inspirada, a seleção começou com um filme que, no máximo, pode ser chamado de simpático: Regards Libres, de Romain Delange, no qual diversas crianças fazem sua leitura particular de uma pintura moderna. Seguiu com um filme bem mais ou menos sobre uma grávida e suas inseguranças (Enceinte Jusqu'aux Dents, de Marie Donnio) e com o mais experimental da seleção, o irregular L'herbe Colle a Mes Coudes Respire le Soleil, filme de J. Descamps que tem uma premissa bem interessante, com um flerte no metrô, mas se perde nos enquadramentos pretensiosos, que buscam uma linguagem poética que o filme não adota por completo. Experimentalismo no meio do caminho entre a vanguarda total e o aprisionamento ao tradicional não dá pé. Poison d'Avril é uma bobagem cometida por Jimmy Bemon. Um filme mal decupado à beça, com enquadramentos que sempre nos afastam de uma possível apreensão, que era o que o filme parecia buscar o tempo todo. Mas em seguida vem a pérola do Senegal: Deweneti, de Dyana Gaye, uma lírica história sobre um menino mendigo de coração nobre, uma bela abordagem sobre sonhos e desejos, e sobre a sobrevivência diária e urbana, urgente. Belíssimo filme, disparado o melhor da seleção que termina com dois filmes agradáveis, mas limitados: Une Naissance, cujo maior interesse vem da ligação com a infância de ninguém menos do que Ingmar Bergman; e La Pelote de Laine, sobre um novelo de lã que liberta uma mulher aprisionada pelo marido. Dois filmes que poderiam ter ido mais longe do que foram.
Pior foi a sessão de brasileiros. A falta de tempo e o sono me impedem de me detalhar nos filmes, mas vale dizer que o único bom filme da selação, O Maior Espetáculo da Terra, de Marcos Pimentel, cresceu na revisão, por ser um filme de procedimentos simples, mas que alcança uma poesia mágica, e nunca calculada. Um filme de tempos, silêncios, reações de quem testemunha um espetáculo ao vivo, e a decadência que acompanha o mundo circense, mundo também sujeito à especulação do corpo feminino. Um dos mais belos curtas brasileiros dos últimos anos. Em compensação, Balada das Duas Moças de Botafogo piorou, com a narração lutando contra a sucessão de planos dos filmes, e o texto de Vinícius de Morais parecendo de um moralismo irritante, graças à pobreza com a qual foi feita a tradução em imagens de suas palavras. O restante vai do supersupersuperestimado Saba, uma espécie de sub sub sub Tsai ming-liang, sem a densidade do diretor malaio, ao zoom in-zoom out irritante de Primeira Vez, filme que lembra demais Cama de Gato, não só nos procedimentos de câmera, mas na falta de dimensão de personagens (exemplo maior: o carinha que tira a virgindade da protagonista, de uma grossura e falta de noção absurda) e por isso não tinha grandes chances de me conquistar. Com um ligeiro destaque para Trecho, que ameaça engrenar, mas também fica na experiência de meio caminho.
Pior foi a sessão de brasileiros. A falta de tempo e o sono me impedem de me detalhar nos filmes, mas vale dizer que o único bom filme da selação, O Maior Espetáculo da Terra, de Marcos Pimentel, cresceu na revisão, por ser um filme de procedimentos simples, mas que alcança uma poesia mágica, e nunca calculada. Um filme de tempos, silêncios, reações de quem testemunha um espetáculo ao vivo, e a decadência que acompanha o mundo circense, mundo também sujeito à especulação do corpo feminino. Um dos mais belos curtas brasileiros dos últimos anos. Em compensação, Balada das Duas Moças de Botafogo piorou, com a narração lutando contra a sucessão de planos dos filmes, e o texto de Vinícius de Morais parecendo de um moralismo irritante, graças à pobreza com a qual foi feita a tradução em imagens de suas palavras. O restante vai do supersupersuperestimado Saba, uma espécie de sub sub sub Tsai ming-liang, sem a densidade do diretor malaio, ao zoom in-zoom out irritante de Primeira Vez, filme que lembra demais Cama de Gato, não só nos procedimentos de câmera, mas na falta de dimensão de personagens (exemplo maior: o carinha que tira a virgindade da protagonista, de uma grossura e falta de noção absurda) e por isso não tinha grandes chances de me conquistar. Com um ligeiro destaque para Trecho, que ameaça engrenar, mas também fica na experiência de meio caminho.