sexta-feira, janeiro 26, 2007
Lembrando ao leitor que só cheguei a Tiradentes na quarta-feira, logo não vi Querô, e outros filmes que poderiam ter me agradado. Feito o esclarecimento, o que tenho a dizer é que, por enquanto, os dois melhores filmes da Mostra são Conceição e O Quadrado de Joana. Nos dois casos é necessário uma revisão, pois são ambos filmes de proposta difícil, intrincada, que possibilita algumas leituras falsas, ou não tão sustentáveis.
Conceição, de um combo maluco e talentoso formado por André Sampaio, Cynthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro, é filme que se alimenta de uma aparente desconexão de suas histórias. Por mais que fique logo claro que se tratam de filmes imaginários, os pequenos esboços de história que vemos na tela, a desproporção formal entre eles, ou mesmo a diferença narrativa e dramatúrgica, que é difícil lembrar que o filme tem, sim, uma espinha dorsal muito bem definida, que é realçada no final trágico carnavalesco. Essa espinha dorsal foi conseguida apesar de um trabalho de direção que é dividido por cinco, e tinha tudo para sair como um samba do crioulo doido. O que até é, mas ele se resolve dentro de sua própria esquizofrenia. Tenho muito mais o que dizer, mas fica para a versão impressa da revista. É um filme que deveria servir de bandeira, de norte para futuros cineastas.
O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado, é mais complicado, por ser um filme que seu próprio diretor não faz muita questão de defender. Até defende, mas como um produto imperfeito, do qual ele se arrepende de muitas decisões. Creio ter gostado mais do filme do que ele, pois enxerguei nessas imperfeições, um talento para procurar histórias humanas, para entender as relações mais inimagináveis entre eles. Por vezes o filme exagera na geometrização da tela, enchendo-a de quadrados, que funcionam sempre como limites físicos, ou limitações emotivas dos personagens. Mas alguns desses planos geométricos são tão belos, que servem como respiro formal ao filme. os dois exemplos mais marcantes são a marca de giz na parede que prende as formigas, e o casalzinho movido a pilha dançando sobre os ladrilhos. Cenas simples, mas que são captadas com uma emoção bruta, pungente, como se fosse os planos mais arriscados do mundo. Essa aparência de kamikaze que o filme tem é seu ponto mais forte.
Visto ontem, Cine Tapuia, de Rosemberg Cariry, se não desperta o interesse que os dois acima despertam, é plenamente digno em suas escolhas um tanto problemáticas de planos feitos para obter um efeito poético. Ou seja, é pensado demais para ser poesia, mas é tão sincero e emotivo nessa tentativa, que esquecemos a frieza de alguns trechos e ficamos com a beleza dos vários momentos em que a atriz Myrlla Muniz usa sua bela voz para entoar belas canções. Um filme que lida com a música e o cinema da maneira que Cine Tapuia lida não pode deixar de ser apreciado.
Conceição, de um combo maluco e talentoso formado por André Sampaio, Cynthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro, é filme que se alimenta de uma aparente desconexão de suas histórias. Por mais que fique logo claro que se tratam de filmes imaginários, os pequenos esboços de história que vemos na tela, a desproporção formal entre eles, ou mesmo a diferença narrativa e dramatúrgica, que é difícil lembrar que o filme tem, sim, uma espinha dorsal muito bem definida, que é realçada no final trágico carnavalesco. Essa espinha dorsal foi conseguida apesar de um trabalho de direção que é dividido por cinco, e tinha tudo para sair como um samba do crioulo doido. O que até é, mas ele se resolve dentro de sua própria esquizofrenia. Tenho muito mais o que dizer, mas fica para a versão impressa da revista. É um filme que deveria servir de bandeira, de norte para futuros cineastas.
O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado, é mais complicado, por ser um filme que seu próprio diretor não faz muita questão de defender. Até defende, mas como um produto imperfeito, do qual ele se arrepende de muitas decisões. Creio ter gostado mais do filme do que ele, pois enxerguei nessas imperfeições, um talento para procurar histórias humanas, para entender as relações mais inimagináveis entre eles. Por vezes o filme exagera na geometrização da tela, enchendo-a de quadrados, que funcionam sempre como limites físicos, ou limitações emotivas dos personagens. Mas alguns desses planos geométricos são tão belos, que servem como respiro formal ao filme. os dois exemplos mais marcantes são a marca de giz na parede que prende as formigas, e o casalzinho movido a pilha dançando sobre os ladrilhos. Cenas simples, mas que são captadas com uma emoção bruta, pungente, como se fosse os planos mais arriscados do mundo. Essa aparência de kamikaze que o filme tem é seu ponto mais forte.
Visto ontem, Cine Tapuia, de Rosemberg Cariry, se não desperta o interesse que os dois acima despertam, é plenamente digno em suas escolhas um tanto problemáticas de planos feitos para obter um efeito poético. Ou seja, é pensado demais para ser poesia, mas é tão sincero e emotivo nessa tentativa, que esquecemos a frieza de alguns trechos e ficamos com a beleza dos vários momentos em que a atriz Myrlla Muniz usa sua bela voz para entoar belas canções. Um filme que lida com a música e o cinema da maneira que Cine Tapuia lida não pode deixar de ser apreciado.