segunda-feira, maio 28, 2007

o choque estético do Festival


Hoje em dia se fala muito em choque estético. Pois ontem, aproveitando que eu já tinha visto os dois longas do dia, e alguns curtas, fui ao passeio organizado para conhecer a Chapada dos Guimarães. Tudo muito belo, sem dúvida, cachoeiras, rochas que parecem ter sido formatadas por ETs, riozinhos de água limpíssima, mas o grande choque foi a vista do mirante. Uma visão que talvez seja a mais impressionante que eu já tive em minha vida. Uma planície com verdes de todos os tipos, do camurça ao bandeira, do suave ao berrante, uma imensidão impressionante, com os rochedos à direita, de onde jorrava alguns fios de água que pareciam se perder nas árvores abaixo. Realmente, uma vista que nos coloca numa posição de pequenez diante de tudo, semelhante à do protagonista de O Incrível Homem que Encolheu, de Jack Arnold. Se essa imagem colorir os meus sonhos futuros, estarei levando daqui muito mais do que uma agradável lembrança.

Sobre os curtas, entrei no meio de um que me pareceu bem interessante: Eunóia, com um ator que parecia o saudoso Jairo Ferreira em mais de um aspecto, e uma câmera interessante. Pena que não vi inteiro. Depois foi a vez de Paulina y El Condor, de Marisol Barragan, curta de animação boliviano simpático, daqueles a que se costuma apregoar o adjetivo fofinho (perdoe-me, leitor, mas se esse adjetivo bobo cabe em algum filme, é neste aqui). E, terminando a noite, Sketches, de Fabiano de Souza, um belo exemplo de experimento estilístico que não é de todo bem resolvido, mas nos momentos "brancos", em que dois personagens se envolvem em um jogo nefasto, o filme cresce. Algumas idéias são muito boas, como a das roupas que trocam de personagens, ou a brilhante utilização do monocromatismo das cenas iniciais, que criam um círculo que será sinistramente (no sentido de misterioso) fechado no final. Mas o paralelismo da conversa com a mãe e com a mulher é quase constrangedor.

Ainda está faltando um filme (longa, curta ou vídeo) que se equipare ao choque estético da vista do mirante, daquela planície que mostra quão grande é o mundo. Talvez apenas a revisão de Bang Bang no cinema consiga tal feito. Mas vamos torcer para que venha antes...





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