terça-feira, maio 29, 2007

O Dia das Homenagens


Helena Zero, de Joel Pizzini, e Person, de Marina Person, exibidos ontem, um vindo logo após o outro, fizeram com que o dia se tingisse de cores melancólicas e saudosistas. O filme de marina é uma surpresa total. Não só porque desconfiamos sempre de homenagens desse tipo, em que a ligação familiar acaba prejudicando a linguagem do filme, mas também porque Marina nunca tenha demonstrado conhecimento cinematográfico em entrevistas, quadro de cotações e, principalmente, em seu antigo programa na MTV. Como saber se a pessoa conhece cinema por um quadro de cotações? Não tem como saber. Mas eu escrevi sobre desconfiança, e nada que ela falasse ou escrevesse anteriormente faria intuir conhecimento da linguagem cinematográfica. Pelo contrário. Seu curta anterior, cujo nome não lembro agora - estou longe de meu arquivo pessoal de filmes vistos - , sugeria desconhecimento total. Mas o filme não só é bom, como tem momentos excelentes, alguns me fizeram ficar com os olhos cheios de lágrimas - especialmente no uso emocional das músicas ("Domingas", de Jorge Ben, sendo colocada de maneira muito emotiva e passional, brilhante se pensarmos na hora do filme em que ela aparece) e das imagens caseiras. O começo sugeria que o filme fosse o feijão com arroz dos documentários desse tipo, com entrevistados sendo completados por outros, num efeito semelhante ao do jogral, e com a diretora insistindo em aparecer, até mesmo em pequenos espelhos. Porém, essa aparição constante logo faz ecoar o que Domingas Person disse na apresentação do filme, sobre o processo de auto-descoberta que Marina atravessou durante a produção. Logo percebemos que o filme foi montado muito bem, fazendo com que a simples alternância entre as imagens em super 8 e as captadas em película ou digital (a confirmar - como a sessão estava lotada, e os encontros eram inevitáveis, acabei esquecendo de conferir como o material foi captado) tivessem um equilíbrio notável, que transformava o filme num fluxo tranquilo e delicioso de ver, uma verdadeira lição de como manipular o tempo, e atingir nossa emoção. Foi o melhor longa que eu vi neste agradável festival (Cão sem Dono não conta, pois não o revi aqui).

O filme do Joel é mais fragmentado, com fluxos sendo cortados como se estivéssemos vendo um experimento da época em que Helena Ignez, a homenageada, estava no auge de sua beleza. Como em Person, temos também um desfile de grandes canções, e um festival de imagens emocionantes. São duas belas homenagens.





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