quinta-feira, outubro 04, 2007

A lan não ajuda, mas muitos filmes precisam ser comentados


Saí do DiCillo, que é bem simpático por sinal, com uma baita vontade de escrever. Aí parei numa Lan House do Catete, que funciona até 1 da manhã. Funciona? Mais ou menos. Só para abrir a página do blogger levei dez minutos. Um saco. Bem, vai tudo em pílulas então, que tá mais de acordo com a correria do festival (e já que amanhã tem um último dia com quatro filmes, todos de diretores que me interessam, dois dos quais correm o risco de serem muito bons).

Delirious, de Tom DiCillo é um pouco idiota quando quer amarrar as pontas e forçar uma brodagem que ainda não estava nem perto de se confirmar. Com meia hora de filme, já temos o inevitável "foi mal, cara, devia ter te dado força", com o tal cara deixando a fúria para se mostrar compreensivo. Um outro momento idiota desses acontece com uma hora de filme, mas no geral ele vai bem, sem grandes pretensões que não a de divertir com um recheio de referências pops... um Kevin Smith que não perdeu o fôlego.

Antes o Kore-eda, de quem nunca fui admirador, com seu pior filme, o bobo toda vida Hana. Interminável, comercialóide - no pior sentido do termo - e com uma música infantil irritante que aparece sempre que a gente teme que ela vá aparecer.

No início do dia a coisa foi melhor, com Eduardo Coutinho e seu Jogo de Cena, que seria melhor se fosse uma outra atriz no lugar de Fernanda Torres. Ok, podem achar que é birra, que eu já tive com ela, mas passou, tanto que achei seu trabalho muito bom em Casa de Areia. Nanda deixa claro o jogo pretendido por Coutinho, o que talvez até tenha sido intenção dele, mas não gostei... paciência. O filme, entretanto, tem força, especialmente quando deixa que as até então anônimas brilhem. Marilia Pêra e Andréa Beltrão também estão ótimas.

Em seguida o filmaço de Jacques Rivette, Não Toque no Machado. Foi o melhor do dia, austero, rigoroso, e ao mesmo tempo um dos filmes menos difíceis dele. Um único senão fica por conta de Jeanne Balibar, atriz rivetteana por excelência, mas que no filme está um tanto deslocada (que me perdoem os fãs dela, mas eu tenho que ser fiel ao que achei numa primeira visão), especialmente no início do longo flashback.

Ontem teve a decepção com o Doillon wannabe Caixas, de sua ex-mulher, Jane Birkin, num filme que emula até a maneira de colocar os créditos do diretor de Ponette, mas não consegue deixar de ser um sub-produto de Bergman. Teve também a confirmação de que Régis Wargnier já pode ser considerado carta fora do baralho. Nem com um retorno ao policial à anos 70 (Corneau, Boisset, Tavernier, Deray) ele acerta a mão. Vá Logo e Volte Tarde até engana por um tempo, mas constrange durante boa parte de sua metade final. O que é a cena em que Marie Gillain grita na rua, para o policial que tenta prender seu meio irmão?

Teve ainda a boa surpresa Dr. Plonk, do maluco Rolf de Heer, capaz de fazer coisas interessantes e horríveis. Uma comédia de cinema mudo com momentos engraçadíssimos, que me fizeram lembrar de Harold Lloyd. E Joe Wright, que havia acertado com Orgulho e Preconceito, volta num filme irregular - Desejo e Reparação -, mas que quando acerta tem muita classe. A música é irritante, mas Wright trabalha com ela de forma interessante, e também com os estampidos que servem de trilha sonora, especialmente no excepcional final do primeiro ato, com a marcação sendo feita pela máquina de escrever.

Acabei escrevendo um monte, e a lan me deixou finalmente em paz.





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