segunda-feira, novembro 12, 2007
Manaus entre o fogo e o gelo, e a boa surpresa com Lucky Miles
O primeiro choque foi com o clima. Manaus é tão úmido que faz o Rio de Janeiro - minha referência anterior de umidade - parecer desértico. Mas o ar condicionado é forte em todos os lugares - uma benção.
Duas imagens cinematográficas:
- a vista do encontro das águas do avião, e a vista do Rio Negro depois, chegando já no aeroporto.
- a vista do encontro das águas do barco, intercalada com a vista do belo reencontro de Dira Paes com John Boorman, que a havia revelado em A Floresta das Esmeraldas (que será devidamente revisto até o final do festival).
Traduzir em palavras essas duas experiências seria uma traição, portanto, vamos aos filmes.
(devo comentar o reencontro entre a atriz e o diretor em um dos posts futuros)
Até agora pude ver apenas dois. O primeiro é o novo de Carlos Alberto Ricceli, O Signo da Cidade. Já apelidado de Crash brasileiro - infelizmente falo do filme de Paul Haggis, não da obra-prima do Cronenberg. O filme até que engana nos primeiros quinze minutos. Depois é um festival de frases de efeito e cartilha do "bem filmar" que joga a pretensão absurda do filme por terra. Aviso: vi o filme lutando contra o sono, logo, não estava em condições de elaborar algo minimamente crítico a respeito dele. Mas me pareceu uma bomba de proporções gigantescas, com fotografia lavada e péssimas soluções dramatúrgicas.
Hoje a coisa melhorou um bocado. Lucky Miles é a surpreendente estréia de Michael James Rowland, diretor nascido na Austrália, mas radicado na Coréia do Sul, com uma história de imigrantes ilegais que se aventuram pelo deserto australiano. Com ritmo surpreendente, direção muito bem levada e momentos cômicos, o filme se constrói como uma divertida parábola ( o filme realmente decola quando sobram um cambojano, um iraquiano e um indonésio ) sobre a tolerância e a camaradagem. Os ahados espertinhos não incomodam, pelo contrário. Em um dos momentos, a câmera assume rapidamente o ponto de vista de um lagartão, arrancando risadas da platéia. Em outro, o ponto de vista é de um jipe, que escorrega para um lago. São poucos os momentos em que acontece esse tipo de truque, e talvez por isso eles funcionem tão bem. São inesperados, e estão a serviço da narrativa. Faz parte da proposta humorística essa alternância da subjetividade da câmera. Foi o segundo choque do Festival - mais pela baixíssima expectativa. Entrei pronto para festejar se o filme fosse assistível, e no final estava comemorando por ter visto um pequeno belo filme.
Duas imagens cinematográficas:
- a vista do encontro das águas do avião, e a vista do Rio Negro depois, chegando já no aeroporto.
- a vista do encontro das águas do barco, intercalada com a vista do belo reencontro de Dira Paes com John Boorman, que a havia revelado em A Floresta das Esmeraldas (que será devidamente revisto até o final do festival).
Traduzir em palavras essas duas experiências seria uma traição, portanto, vamos aos filmes.
(devo comentar o reencontro entre a atriz e o diretor em um dos posts futuros)
Até agora pude ver apenas dois. O primeiro é o novo de Carlos Alberto Ricceli, O Signo da Cidade. Já apelidado de Crash brasileiro - infelizmente falo do filme de Paul Haggis, não da obra-prima do Cronenberg. O filme até que engana nos primeiros quinze minutos. Depois é um festival de frases de efeito e cartilha do "bem filmar" que joga a pretensão absurda do filme por terra. Aviso: vi o filme lutando contra o sono, logo, não estava em condições de elaborar algo minimamente crítico a respeito dele. Mas me pareceu uma bomba de proporções gigantescas, com fotografia lavada e péssimas soluções dramatúrgicas.
Hoje a coisa melhorou um bocado. Lucky Miles é a surpreendente estréia de Michael James Rowland, diretor nascido na Austrália, mas radicado na Coréia do Sul, com uma história de imigrantes ilegais que se aventuram pelo deserto australiano. Com ritmo surpreendente, direção muito bem levada e momentos cômicos, o filme se constrói como uma divertida parábola ( o filme realmente decola quando sobram um cambojano, um iraquiano e um indonésio ) sobre a tolerância e a camaradagem. Os ahados espertinhos não incomodam, pelo contrário. Em um dos momentos, a câmera assume rapidamente o ponto de vista de um lagartão, arrancando risadas da platéia. Em outro, o ponto de vista é de um jipe, que escorrega para um lago. São poucos os momentos em que acontece esse tipo de truque, e talvez por isso eles funcionem tão bem. São inesperados, e estão a serviço da narrativa. Faz parte da proposta humorística essa alternância da subjetividade da câmera. Foi o segundo choque do Festival - mais pela baixíssima expectativa. Entrei pronto para festejar se o filme fosse assistível, e no final estava comemorando por ter visto um pequeno belo filme.