domingo, novembro 04, 2007

O queridinho Honoré decepcionou


Quando vi Canções de Amor na sala BNDES da Cinemateca, não entendi o fuzuê que se fez em torno de Honoré. Fuzuê que começou na França (via Cahiers e Inrockuptibles), e veio para o Brasil, onde foi elogiado por vários críticos, inclusive alguns amigos. Falavam que Em Paris é melhor, que é um charme só, e blá blá blá. Pois achei pior. Primeiro porque a emulação da Nouvelle Vague passa apenas pelos cacoetes da época, nunca pelas rupturas, ou mesmo pelas crises. Então, dá-lhe câmera acelerada, jazz sessentista, micagens de parlapatões em parisienses mauricinhos (cortesia de Louis Garrel, um chato de galocha nos filmes do diretor). Honoré quer ser espertinho o tempo todo, e quando deixa de ser não parece muito capaz de segurar o interesse de sua narrativa. Ou seja, o filme parece se sustentar unicamente nos brilharecos. Mas em termos de brilharecos, prefiro o Wong Kar Wai do que o coquetel pouco imaginativo de Godard (Uma Mulher é Uma Mulher), Truffaut (Jules et Jim) e Malle (Zazie no Metrô) de Em Paris.

Canções de Amor, cujos dois terços finais eu revi logo depois de Em Paris, me parece mais interessante, justamente porque ele consegue se desapegar dessa emulação estéril da Nouvelle Vague e criar umas imagens bem bonitas, com destaque para o rosto de Ludivigne Sagnier em primeiro plano, enquanto Garrel anda na noite parisiense. Mas é pouco pelo alarde que foi feito. Honoré parece trilhar caminho semelhante ao de Cédric Kaplish (que até Un Air de Famille era interessante, depois desabou vergonhosamente). Mas vamos ver se os defensores que reviram hoje os dois filmes aparecem por aqui.





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