quinta-feira, setembro 28, 2006
Bamako e os outros
É meu terceiro dia no Festival. Mas ainda não consegui postar daqui do Rio. Parece que o blogger se arrasta quando é minha vez. Tudo bem...continuo insistindo. Sobre a decepção de Fast Food Nation na seção da meia-noite de ontem não tenho muito a acrescentar ao que o Guilherme falou. Fiquei bem interessado enquanto Greg Kinnear investivaga a procedência da carne, mas muito desinteressado quando o foco ia para os imigrantes. Realmente, um dos filmes mais fracos de Linklater. Em alguns momentos é constrangedor.
No primeiro dia havia visto o filme de Majid Majidi, The Willow Tree. Trata-se da história de um homem que faz transplante de córnea, e passa a se decepcionar ao ver que a vida que ele imaginava em sua cegueira era bem superior à vida que se abria a seus olhos. Um breve momento de interesse se dá no primeiro encontro com as pessoas que ele conhecia, com a incrível inabilidade que ele demonstra para esconder sua decepção com todas aquelas caras novas. Depois o filme se afunda com a mão pesada de Majidi, cada vez mais fora de forma.
O segundo e último da terça foi o novo de Gianni Amelio, diretor que raramente me faz a cabeça (gosto de As Chaves da Casa e Ladrão de Crianças, mas não me empolgo com seus filmes sociais). A Estrela que Não É tem um grande trunfo: Sérgio Castellito. É um ator sensacional, que transmite credibilidade ao mais tolo dos personagens. Ele tem que viajar para a China, à procura de uma máquina defeituosa. O filme adota um tom muito diferente quando ele chega, com uma música chinesa delicada tocando o tempo todo, e a história girando em círculos. Na meia hora final, o filme se perde totalmente.
Ontem foi a vez de Alice, um bom e triste filme português, cuja limitação maior é a direção de Marco Martins, a um passo do academicismo, mas com alguns momentos que certamente elevam o filme para algo acima da média. E Bamako, de Abderrahmane Sissako, belíssimo filme que exige muito do espectador. Quem não embarcar na falação certamente irá se afastar do filme. Os momentos antológicos são vários, com especial destaque para a reação dos presentes à cantoria do velho nativo, e para a cantora que dá as costas para a platéia para limpar as lágrimas que corriam de seus olhos. É um filme que pede revisão, como bem fez Ruy Gardnier, que achou obra-prima, afinal.
Antes da decepção de Fast Food Nation, conferi uma aposta que naufragou em um sem número de imagens pretensamente poéticas. A Fórmula de Peter Pan tem momentos constrangedores, provando que nem tudo que vem da Coréia deva ser visto. É o pior filme visto até aqui.
Cotações (de mico a cinco)
The Willow Tree *
A Estrela que não É * *
Alice * * *
Bamako * * * *
A Fórmula de Peter Pan (mico)
Fast Food Nation *
No primeiro dia havia visto o filme de Majid Majidi, The Willow Tree. Trata-se da história de um homem que faz transplante de córnea, e passa a se decepcionar ao ver que a vida que ele imaginava em sua cegueira era bem superior à vida que se abria a seus olhos. Um breve momento de interesse se dá no primeiro encontro com as pessoas que ele conhecia, com a incrível inabilidade que ele demonstra para esconder sua decepção com todas aquelas caras novas. Depois o filme se afunda com a mão pesada de Majidi, cada vez mais fora de forma.
O segundo e último da terça foi o novo de Gianni Amelio, diretor que raramente me faz a cabeça (gosto de As Chaves da Casa e Ladrão de Crianças, mas não me empolgo com seus filmes sociais). A Estrela que Não É tem um grande trunfo: Sérgio Castellito. É um ator sensacional, que transmite credibilidade ao mais tolo dos personagens. Ele tem que viajar para a China, à procura de uma máquina defeituosa. O filme adota um tom muito diferente quando ele chega, com uma música chinesa delicada tocando o tempo todo, e a história girando em círculos. Na meia hora final, o filme se perde totalmente.
Ontem foi a vez de Alice, um bom e triste filme português, cuja limitação maior é a direção de Marco Martins, a um passo do academicismo, mas com alguns momentos que certamente elevam o filme para algo acima da média. E Bamako, de Abderrahmane Sissako, belíssimo filme que exige muito do espectador. Quem não embarcar na falação certamente irá se afastar do filme. Os momentos antológicos são vários, com especial destaque para a reação dos presentes à cantoria do velho nativo, e para a cantora que dá as costas para a platéia para limpar as lágrimas que corriam de seus olhos. É um filme que pede revisão, como bem fez Ruy Gardnier, que achou obra-prima, afinal.
Antes da decepção de Fast Food Nation, conferi uma aposta que naufragou em um sem número de imagens pretensamente poéticas. A Fórmula de Peter Pan tem momentos constrangedores, provando que nem tudo que vem da Coréia deva ser visto. É o pior filme visto até aqui.
Cotações (de mico a cinco)
The Willow Tree *
A Estrela que não É * *
Alice * * *
Bamako * * * *
A Fórmula de Peter Pan (mico)
Fast Food Nation *