segunda-feira, junho 18, 2007
Cidade Dual e Santiago
Ontem foi dia dos documentários problemáticos. Primeiro, Cidade Dual, de Leo Ayres (produtor dos videos-jornais da Mostra. O filme faz uma contraposição óbvia entre a vida em uma comunidade de classe média alta e uma pobre, relatando problemas existentes dos dois lados, e comparando as situações dentro de um panorama social que pretende ser amplo. Além da ingenuidade da estrutura, há ainda planos discutíveis, sendo o pior de todos aquele que tem o depoimento da mãe com o filho deficiente mental em primeiro plano. A cena provoca risadas da platéia, e a simples inclusão desse enquadramento sugere, como disse o amigo Marcelo Miranda, uma de duas coisas: ou o diretor foi extremamente ingênuo de deixar a cena mesmo sabendo de sua possibilidade enviezadamente cômica para as platéias atuais, que adoram rir de qualquer coisa no cinema; ou pior, a intenção mesmo de fazer graça. Acredito piamente na primeira opção, pois a segunda jogaria por terra a opção estrutural do filme, e deixaria de ser ingenuidade para ser outra coisa. Vale dizer ainda que alguns momentos são interessantes, especialmente no rap social perto do final do filme.
Santiago é um pouco mais complicado, e deve ser mais explorado por mim mesmo numa crônica-ensaio que pretendo escrever para a próxima edição da Paisà. Mas adianto que me incomodou a opção de João Moreira Salles de se assumir cruel e manipulador, usando seu mordomo como pura marionete de seus desejos autorais. Não sei até que ponto esse incômodo me afasta do filme, que tem, sim, vários momentos a se reter. Mas confesso que achei que o artifício resvala na demagogia, na exposição do arrependimento. De qualquer forma, eu só poderia escrever mais detidamente sobre o filme após uma revisão, ou duas. Mas não é o ideal para qualquer exercício crítico?
Santiago é um pouco mais complicado, e deve ser mais explorado por mim mesmo numa crônica-ensaio que pretendo escrever para a próxima edição da Paisà. Mas adianto que me incomodou a opção de João Moreira Salles de se assumir cruel e manipulador, usando seu mordomo como pura marionete de seus desejos autorais. Não sei até que ponto esse incômodo me afasta do filme, que tem, sim, vários momentos a se reter. Mas confesso que achei que o artifício resvala na demagogia, na exposição do arrependimento. De qualquer forma, eu só poderia escrever mais detidamente sobre o filme após uma revisão, ou duas. Mas não é o ideal para qualquer exercício crítico?