domingo, outubro 21, 2007
A Questão Humana
Qualquer cineasta que chame seu filme de A Questão Humana não peca pela falta de ambição, e o que é evidente com pouco tempo e confirmado a cada nova cena é que poucos filmes contemporâneos estabelecem para si uma missão tão ampla e ambiciosa quanto este novo trabalho de Nicolas Klotz (cujo filme anterior, A Ferida fora muito bem recebido na Mostra de 2004). A Questão Humana é um filme que quer nada menos do que nos lançar em meio da nossa tragédia contemporânea, e o que impressiona é o quão brutalmente eficaz A Questão Humana é, assim como a maneira com que o olhar apurado de Klotz garante ao filme uma curiosidade e vitalidade surpreendentes. A Questão Humana é um filme sobre duas investigações paralelas que se cruzam, mas nem sempre coincidem: a do psicologo de RH de uma grande corporação (Mathieu Almaric) sobre seu chefe (um Michael Lonsdale impressionante), a outra da camera do cineasta sobre este mundo. A Questão Humana é um filme sobre a agonia da História nos nossos tempos, que funciona ele próprio como exercício de História em ação. Sua primeira parte trabalhando em função de abrir ao máximo o leque histórico-investigativo e sua segunda parte dedicando-se a fecha-lo num furioso retorno da história (o século XX engolindo vorazmente as certezas contemporâneas). É melhor não dizer mais, pois A Questão Humana é melhor experienciado quanto menos informações tivermos dele, mas o mergulho que o filme propõe é tão assustador quanto alerta para todas as suas implicações, no processo Klotz revitaliza o filme politico e o filme histórico e produz aquele que talvez seja o filme mais vivo e importante de 2007.