domingo, janeiro 20, 2008
Longa vida ao cinema de Belmonte
Ontem foi o dia de Meu Mundo em Perigo, o novo filme de José Eduardo Belmonte. Com Eucir de Souza, Rosanne Mulholland e Milhem Cortaz arrasando, não dá nem para pensar em ignorar o elenco, a escolha de cada um para seus respectivos personagens. Os atores estão perfeitos numa história de tentativa de superação pela necessidade de enfrentamento dos traumas - caso da personagem de Rosanne, a mudinha, que a certa hora volta para casa de sua família para enfrentar a recepção de seus familiares. O personagem de Eucir também deve enfrentar muitas coisas, mas ele recua, até que encontra a mudinha afastada de casa. Mas o filme é esvaziado de qualquer espécia de explicação das motivações de seus personagens. Sabemos que eles sofrem, e como sofrem, mas pouco sabemos das condições que eles têm para passar pelo sofrimento. Meu Mundo em Perigo lembra, por seu despreendimento a uma dramaturgia mais convencional e pela adesão completa aos corpos dos atores - mesmo em seus detalhes - tanto Cão sem Dono quanto o cinema de Cassavetes, não por acaso citado no debate de hoje. Mas é outro filme que eu gostaria de rever antes de pronunciar algo mais crítico ou analítico.
Antes vimos Alucinados, o intrigante filme de Roberto Santucci, que esteve na mesa em minha companhia para discutir o filme - em um debate que contou com participações especiais do público. Muitos não entenderam a opção do diretor pela constante alternância de registros, entre o comentário social e a ação pura e simples. Mas o fato é que Santucci soube evitar diversas armadilhas que o encaminhamento das cenas ocasionou, e se saiu muito bem na alternância final, e mais radical, da saída do sequestro puro e simples para algo muito mais complexo, que exigia uma densidade dramática que o filme cumpre com vigor.
Antes vimos Alucinados, o intrigante filme de Roberto Santucci, que esteve na mesa em minha companhia para discutir o filme - em um debate que contou com participações especiais do público. Muitos não entenderam a opção do diretor pela constante alternância de registros, entre o comentário social e a ação pura e simples. Mas o fato é que Santucci soube evitar diversas armadilhas que o encaminhamento das cenas ocasionou, e se saiu muito bem na alternância final, e mais radical, da saída do sequestro puro e simples para algo muito mais complexo, que exigia uma densidade dramática que o filme cumpre com vigor.