domingo, outubro 01, 2006
Cacoetes de autor
Existem os cacoetes da crítica, claro. Não me excluo de, vez por outra, cair em alguns deles, e acredito ser impossível evitá-los em alguns momentos. A questão é: devemos evitá-los? Quase sempre a resposta me parece ser positiva. Se houver algum motivo para se buscar os clichês eu francamente os desconheço. Mas pode ser que haja um bom motivo, sei lá eu...
Dois filmes de diretores mais ou menos elogiados repetem seus clichês autorais com exaustão em seus últimos filmes. Tanto Bruno Dumont com Flandres, como Aki Kaurismaki com Luzes na Escuridão, dão insistentes voltas sobre tons e temas que sempre rondaram seus filmes. Dumont sempre se interessou pelos momentos de explosão de seus personagens. Se em seus primeiros filmes (os supervalorizados A Vida de Jesus e A Humanidade) só víamos as consequências dessas explosões, no execrável 29 Palms vemos as causas, e, no final, a explosão definitiva. Em Flandres pressentimos esse momento de explosão, mas ele chega em doses tímidas e um tanto constrangedoras para a garota que não consegue ficar sem transar e agarra o psiquiatra. Kaurismaki continua pintando um mundo cinzento, em que as únicas pessoas que sorriem são as maldosas. Os ingênuos heróis do diretor continuam sendo verdadeiros panacas, mesmo quando têm momentos de grande lucidez. Esse cinema depressivo já teve melhores dias, mas não se pode negar a força do plano final de Luzes na Escuridão, ainda que não sirva para redimir a sensação de "mais do mesmo" evidente em toda a projeção. É evidente que Kaurimaki se alimenta desses momentos déjà-vu, mas aqui chega a cansar. Ao menos esses dois filmes são curtos.
Também vi ontem, no Paissandu, O Tigre e a Neve, de Roberto Benigni. É como o Guilherme falou. tem bons momentos na primeira parte, e momentos hediondos na segunda. Sem que uma das partes esteja livre de ter qualquer um dos dois extremos. Mas é o seguinte: antes de Bagdá, tudo conspira a favor do filme, e os maus momentos são relevados com facilidade; em compensação, na segunda metade, os raros bons momentos já não encantam mais, pois já estamos mergulhados no tédio com as boas intenções sociais, mas que se revelam más intenções para com a linguagem cinematográfica.
Devo ter caído em alguns cacoetes críticos neste post, mas a tentativa de fugir deles talvez me levassem a cacoetes piores. Por isso, relevem, por favor.
Cotações:
Flandres *
O Tigre e a Neve *
Luzes na Escuridão * *
Dois filmes de diretores mais ou menos elogiados repetem seus clichês autorais com exaustão em seus últimos filmes. Tanto Bruno Dumont com Flandres, como Aki Kaurismaki com Luzes na Escuridão, dão insistentes voltas sobre tons e temas que sempre rondaram seus filmes. Dumont sempre se interessou pelos momentos de explosão de seus personagens. Se em seus primeiros filmes (os supervalorizados A Vida de Jesus e A Humanidade) só víamos as consequências dessas explosões, no execrável 29 Palms vemos as causas, e, no final, a explosão definitiva. Em Flandres pressentimos esse momento de explosão, mas ele chega em doses tímidas e um tanto constrangedoras para a garota que não consegue ficar sem transar e agarra o psiquiatra. Kaurismaki continua pintando um mundo cinzento, em que as únicas pessoas que sorriem são as maldosas. Os ingênuos heróis do diretor continuam sendo verdadeiros panacas, mesmo quando têm momentos de grande lucidez. Esse cinema depressivo já teve melhores dias, mas não se pode negar a força do plano final de Luzes na Escuridão, ainda que não sirva para redimir a sensação de "mais do mesmo" evidente em toda a projeção. É evidente que Kaurimaki se alimenta desses momentos déjà-vu, mas aqui chega a cansar. Ao menos esses dois filmes são curtos.
Também vi ontem, no Paissandu, O Tigre e a Neve, de Roberto Benigni. É como o Guilherme falou. tem bons momentos na primeira parte, e momentos hediondos na segunda. Sem que uma das partes esteja livre de ter qualquer um dos dois extremos. Mas é o seguinte: antes de Bagdá, tudo conspira a favor do filme, e os maus momentos são relevados com facilidade; em compensação, na segunda metade, os raros bons momentos já não encantam mais, pois já estamos mergulhados no tédio com as boas intenções sociais, mas que se revelam más intenções para com a linguagem cinematográfica.
Devo ter caído em alguns cacoetes críticos neste post, mas a tentativa de fugir deles talvez me levassem a cacoetes piores. Por isso, relevem, por favor.
Cotações:
Flandres *
O Tigre e a Neve *
Luzes na Escuridão * *