terça-feira, outubro 24, 2006
Guerra Conjugal
Nunca tinha visto este belo filme de Joaquim Pedro de Andrade. Sua tristeza é impressionante, tanto mais porque se disfarça de uma alegria de comédia safada e carioca (o filme foi rodado no Rio de Janeiro). São sketches que podem até formar um fiapo de narrativa, mas são livres, e mostram um casal de idosos brigando, um outro se desentendendo - além de outras questões, por causa da diferença de idade -, e dois homens tentando transar com o maior número de garotas. Mas é de solidão que fala o filme, como fica claro no belíssimo plano final. As pessoas se juntam, sedentas de sexo, mas são carentes, solitárias mesmo em companhia. Os créditos fazem o invólucro de fábula nos relatos eróticos; e a espécie humana é retratada de uma forma cruel, mas com esperança. Destaque para o engravatado Carlos Gregório, que compõe um personagem patético, com a barra da calça muito curta, à Jerry Lewis, e um apetite sexual que só se resolve depois de transar com todos os tipos femininos, da mais obesa à mais idosa; e para o outro engravatado, vivido por Lima Duarte, e que a horas tantas é seduzido por um velho amigo de adolescência (Carlos Kroebber) que descobriu tardiamente a homossexualidade.