quinta-feira, outubro 05, 2006

O novo Scorsese


O dia foi dedicado a Os Infiltrados (The Departed), novo filme de Martin Scorsese. Tornou-se lugar comum a opinião de que Thelma Schoonmaker está estragando os filmes recentes do diretor. O jargão "TS, aposente-se", esbravejada com fúria por Bruno Andrade, nunca foi tão reiterado por outros críticos amigos. Para meu desespero Scorseseano, esses amigos não entendem que o cinema recente do mestre precisa desse ritmo, se alimenta dele. É como se o afobado Scorsese precisasse de alguém que o levasse à velocidade de seu cérebro. Um histérico que tenta adotar o tempo de um monge budista, mas que é sabotado, conscientemente (tenho plena convicção disso), por sua montadora preferida.

Alguma coisa vai mal na primeira metade de Os Infiltrados. Desta vez, parece que a afobação não o ajuda, e ele parece se afogar num mar de planos curtos que normalmente imprimiam a justa medida de sua pulsão cinematográfica. A trama, Jack Nicholson, ou a reverência ao filme original de Hong-kong (Infernal Affairs)... esses elementos parecem pedir por um ritmo anti-scorseseano, de planos elaborados, mas um tanto mais pensados na câmera do que o habitual do diretor desde Vivendo no Limite. Scorsese parece ter encontrado o ritmo certo na segunda metade do filme, que é realmente um primor, de uma secura rara em sua filmografia.





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