domingo, setembro 23, 2007

A Casa de Alice


Chico Teixeira comete aqui um filme bastante arriscado, onde ele opõe um tipo de dramaturgia que poderia facilmente descambar para algo como Contra Todos, com a sensibilidade com que aborda o material. A Casa de Alice tem muitos pontos fortes, a começar com a relação íntima e acolhedora com que se relaciona com seus atores, e Teixeira conduz tudo com considerável segurança (exceção feita a figura do pai que parece mais uma falha de imaginação) até seu final inevitável. Se o filme tem um limite é justamente um certo determinismo na sua lógica e a maneira como Teixeira se sente por vezes confortável demais dentro do nicho estético que reclama (podemos chamá-lo do cinema pós-Dardennes), mesmo que com inegável competência. Mas é na relação que Teixeira estabelece com aquela casa e com os corpos que por ali passam que A Casa de Alice encontra sua razão de ser. No cinema brasileiro estamos sempre assombrados pela síndrome do grande filme, isto A Casa de Alice pode até não ser, mas é um belo exemplar de um cinema intimista brasileiro, do qual volta e meia se cobra, basta olhar suas imagens mais do que o que se transcorre nelas.





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