quinta-feira, setembro 20, 2007
Festival do Rio
Começamos agora nossa cobertura do Festival, fazendo a repescagem com alguns filmes que já tinhamos escrito sobre aqui no blog na ocasião de exibições em eventos anteriores.
Eu não Quero Dormir Sozinho
Tsai Ming-liang já não é mais esperado com entusiasmo por alguns amigos críticos. Pena. Ele não tem culpa de ter virado quase unanimidade no circuito de festivais. Seu novo filme, Eu Não Quero Dormir Sozinho, será certamente acusado de "mais do mesmo", como se isso em si fosse algo negativo. Fosse assim, Bach não seria a unanimidade em música erudita. O novo filme do diretor tem as mesmas composições de Adeus Dragon Inn e Que Horas São Aí? Seus planos continuam explorando o espaço da melhor forma possível, fazendo com que o ator sempre incida numa parte inesperada da tela, mas com destaque. Ele consegue mudar a direção de nosso olhar por pequenas alterações da luminosidade, e aí reside boa parte do encanto formal de seus filmes. Mas tem novidades, além de um tempo de corte diferente e antecipado em algumas cenas: desta vez o casal principal tenta fazer amor mesmo sob fumaças asfixiantes. Após o orgasmo de O Sabor da Melancia, seus personagens encontram forças para brigar pelo que amam. O filme ainda reserva um último plano espetacular, com uma dose de humor peculiar, que só dá mais sabor a este preciso e comovente experimento de um cineasta em seus domínios cinematográficos. (Sergio Alpendre)
Sempre Bela
Manoel de Oliveira realiza aqui uma seqüência perversa para A Bela da Tarde de Buñuel. È mais uma obra-prima tardia do quase centenário cineasta. Um filme de grande beleza que se constrói a partir da lógica do intervalo que o separa do clássico de Buñuel, esteja ele no rosto de Michel Piccoli (que esta magnífico, por sinal), na Paris pelo qual ele passeia ou nos estilos diferentes dos dois cineastas. Sempre Bela é um dos trabalhos mais leves de Oliveira (seus 70 minutos passam muito depressa), chegando por vezes a remeter mesmo a Vou Para Casa, mas com mais força. Um filme para se retornar outras vezes, com certeza. Um dos melhores do ano. (Filipe Furtado)
O Sol
É melhor que Taurus, ainda que isso não signifique muito. Sokurov insiste com a câmera flutuante, sem que saibamos porque ela está flutuando se esse movimento só faz com que nos irritemos. Tem os belos planos de sempre, principalmente quando o diretor resolve parar de mexer a câmera, mas o filme é um dos maiores convites ao sono que vi nos últimos anos, e não tem a força alegórica que poderia se achar em Moloch e Mãe e Filho. Parece que depois de Arca Russa Sokurov perdeu definitivamente a mão. (Sergio Alpendre)
Síndromes e um Século
Uma incógnita: Síndromes e Um Século, filme de Apichatpong Weerasethakul que arrebatou quase todos os amigos, críticos ou não, e que é indiscutivelmente muito bom. Só que é um OVNI, que eu só entenderei depois de umas duas ou três revisões. Ainda não sei se é mesmo uma obra-prima, mas que é imperdível, isso eu sei que ele é. (Sergio Alpendre)
Eu não Quero Dormir Sozinho
Tsai Ming-liang já não é mais esperado com entusiasmo por alguns amigos críticos. Pena. Ele não tem culpa de ter virado quase unanimidade no circuito de festivais. Seu novo filme, Eu Não Quero Dormir Sozinho, será certamente acusado de "mais do mesmo", como se isso em si fosse algo negativo. Fosse assim, Bach não seria a unanimidade em música erudita. O novo filme do diretor tem as mesmas composições de Adeus Dragon Inn e Que Horas São Aí? Seus planos continuam explorando o espaço da melhor forma possível, fazendo com que o ator sempre incida numa parte inesperada da tela, mas com destaque. Ele consegue mudar a direção de nosso olhar por pequenas alterações da luminosidade, e aí reside boa parte do encanto formal de seus filmes. Mas tem novidades, além de um tempo de corte diferente e antecipado em algumas cenas: desta vez o casal principal tenta fazer amor mesmo sob fumaças asfixiantes. Após o orgasmo de O Sabor da Melancia, seus personagens encontram forças para brigar pelo que amam. O filme ainda reserva um último plano espetacular, com uma dose de humor peculiar, que só dá mais sabor a este preciso e comovente experimento de um cineasta em seus domínios cinematográficos. (Sergio Alpendre)
Sempre Bela
Manoel de Oliveira realiza aqui uma seqüência perversa para A Bela da Tarde de Buñuel. È mais uma obra-prima tardia do quase centenário cineasta. Um filme de grande beleza que se constrói a partir da lógica do intervalo que o separa do clássico de Buñuel, esteja ele no rosto de Michel Piccoli (que esta magnífico, por sinal), na Paris pelo qual ele passeia ou nos estilos diferentes dos dois cineastas. Sempre Bela é um dos trabalhos mais leves de Oliveira (seus 70 minutos passam muito depressa), chegando por vezes a remeter mesmo a Vou Para Casa, mas com mais força. Um filme para se retornar outras vezes, com certeza. Um dos melhores do ano. (Filipe Furtado)
O Sol
É melhor que Taurus, ainda que isso não signifique muito. Sokurov insiste com a câmera flutuante, sem que saibamos porque ela está flutuando se esse movimento só faz com que nos irritemos. Tem os belos planos de sempre, principalmente quando o diretor resolve parar de mexer a câmera, mas o filme é um dos maiores convites ao sono que vi nos últimos anos, e não tem a força alegórica que poderia se achar em Moloch e Mãe e Filho. Parece que depois de Arca Russa Sokurov perdeu definitivamente a mão. (Sergio Alpendre)
Síndromes e um Século
Uma incógnita: Síndromes e Um Século, filme de Apichatpong Weerasethakul que arrebatou quase todos os amigos, críticos ou não, e que é indiscutivelmente muito bom. Só que é um OVNI, que eu só entenderei depois de umas duas ou três revisões. Ainda não sei se é mesmo uma obra-prima, mas que é imperdível, isso eu sei que ele é. (Sergio Alpendre)