sábado, setembro 22, 2007

O Expresso Darjeeling


De Wes Anderson pode-se dizer que ele está sempre a fazer o mesmo filme; é verdade, as preferências estéticas e temáticas, seus atores e até mesmo sua sensibilidade para com a música pop são tão constantes que a mera opção de incluir Bill Murray numa ponta, em sua engraçadissima e pungente abertura de cinema mudo, é o suficiente para associarmos sua figura triste ao do pai cuja morte assombra os protagonistas. Anderson é provavelmente o cineasta contemporâneo que mais se aproxima de Renoir, e O Expresso Darjeeling se assemelha em muitos pontos com O Rio Sagrado (51), mas sobram referências a diversos outros clássicos ocidentais passados no país, com Anderson construindo uma Índia de cinema que reconfigura elementos de múltiplos filmes, enquanto se afirma como extensão natural do universo do diretor. O Expresso Darjeeling talvez seja o filme mais frenético de Anderson (não à toa seu título é o nome do trem que carrega os personagens na primeira parte do filme), e é de certo o mais direto na maneira com que confronta as suas obsessões. Esta pegada mais direta é o que mais encanta no filme, junto com o trabalho sempre inspirado dos atores. O impacto do cinema de Anderson sempre se relacionou com a maneira com que ele é capaz de lidar com dor, morte, desapontamentos enquanto mantém uma profunda generosidade de espírito para com tudo e todos que cruzam a tela (há uma belíssima epifania próxima ao final do filme cuja força reside justamente na pluralidade do olhar do diretor) e este novo trabalho expande essa dualidade ao máximo. Belo filme.





<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com