domingo, setembro 30, 2007
Planeta Terror - outra visão
Não pretendia fazer este comentário a respeito do novo filme de Robert Rodriguez. A razão é muito simples: sou fã e não via com bons olhos a idéia de não recomenda-lo, quiçá critica-lo vêementemente, como farei. Até por acreditar que o filme possui força o suficiente para ser, pelo menos, digno.
Mas diante do que escreveu o Filipe, eu não vejo saída a não ser contra-argumentar. Pois se há uma visão no filme que considero inconcebível é a de que ele seria uma boa homenagem a John Carpenter. Primeiro, porque não é um filme carpenteriano sobre qualquer aspecto - o máximo que pode-se afirmar, é que há uma noção de grupo rebelde se unindo num espirito anárquico que casa com ideais carpenterianos, e que em pequenos momentos houve uma trilha que se assemelha no estilo. E é só. É um conceito muito básico, e deu. Não existem relações carpenterianas entre os personagens, e nem mesmo de andamento de narrativa. Em termos de imagem, a comparação é uma piada, sim. Não porque seja mal filmado, mas por que as formas de filmar não tem nada a ver. Sem falar que a mera idéia de que se parta para uma homenagem a Carpenter, levando isso a sério - o que eu acho que o Rodriguez não queria fazer, embora diga em entrevistas que queria homenagea-lo - e não rodar em cinemascope, é uma falta de noção total. Comparar El Wray aos personagens de Kurt Russell ou a Nada e outros heróis, é o mesmo que comparar qualquer outsider a eles. Pra mim essa comparação é um desconhecimento da essência carpenteriana. El Wray é quase a mesma persona que o David Arquette fazia em Revanche Rebelde, que é um bom filme, o primeiro longa de Rodriguez. Pra fechar o assunto, que não puxaria se o Filipe não tivesse o feito antes, digo sem menor medo: Serenity é muito mais Carpenter do que Planeta Terror jamais será.
Agora, então, os porques. Porque filmar em HD e colocar riscos de película digitalmente, sinceramente, me incomoda demais. Porque afirma uma noção fetichista no pior sentido sobre uma relação com um grupo de filmes, como se eles fossem feitos já com riscos e aparência mal cuidada dos negativos. É ser muito mais grindhouse que os próprios filmes que referencia. Ou até mesmo, um falso grindhouse. Eu acho Revanche Rebelde ou El Mariachi bastante dignos do título se tivessem sido feitos em outro momento da história do cinema. A impressão que fica do filme é quase de que ele seria uma espécie de paródia aos filmes do grindhouse, como se deles ficasse só o aspecto mais tosco, que aqui vira piada. Parece uma sessão de esquetes, e só engrena como um filme grindhousiano lá pro meio, que é quando ele começa a acreditar naquilo que está filmando. No terreno da especulação, eu palpitaria que ele será gostado pelos fãs de filmes grindhouse, mas será muito mais curtido pelos não-fãs. É um filme divertido, na sua porra-louquice, e realmente tem um final muito bonito. Mas a sensação de ter visto alguém trocar os pés pelas mãos ao tentar homenagear um movimento como o da grindhouse e terminar tendo em muitos momentos quase feito pouco caso dele me foi inevitável.
Mas diante do que escreveu o Filipe, eu não vejo saída a não ser contra-argumentar. Pois se há uma visão no filme que considero inconcebível é a de que ele seria uma boa homenagem a John Carpenter. Primeiro, porque não é um filme carpenteriano sobre qualquer aspecto - o máximo que pode-se afirmar, é que há uma noção de grupo rebelde se unindo num espirito anárquico que casa com ideais carpenterianos, e que em pequenos momentos houve uma trilha que se assemelha no estilo. E é só. É um conceito muito básico, e deu. Não existem relações carpenterianas entre os personagens, e nem mesmo de andamento de narrativa. Em termos de imagem, a comparação é uma piada, sim. Não porque seja mal filmado, mas por que as formas de filmar não tem nada a ver. Sem falar que a mera idéia de que se parta para uma homenagem a Carpenter, levando isso a sério - o que eu acho que o Rodriguez não queria fazer, embora diga em entrevistas que queria homenagea-lo - e não rodar em cinemascope, é uma falta de noção total. Comparar El Wray aos personagens de Kurt Russell ou a Nada e outros heróis, é o mesmo que comparar qualquer outsider a eles. Pra mim essa comparação é um desconhecimento da essência carpenteriana. El Wray é quase a mesma persona que o David Arquette fazia em Revanche Rebelde, que é um bom filme, o primeiro longa de Rodriguez. Pra fechar o assunto, que não puxaria se o Filipe não tivesse o feito antes, digo sem menor medo: Serenity é muito mais Carpenter do que Planeta Terror jamais será.
Agora, então, os porques. Porque filmar em HD e colocar riscos de película digitalmente, sinceramente, me incomoda demais. Porque afirma uma noção fetichista no pior sentido sobre uma relação com um grupo de filmes, como se eles fossem feitos já com riscos e aparência mal cuidada dos negativos. É ser muito mais grindhouse que os próprios filmes que referencia. Ou até mesmo, um falso grindhouse. Eu acho Revanche Rebelde ou El Mariachi bastante dignos do título se tivessem sido feitos em outro momento da história do cinema. A impressão que fica do filme é quase de que ele seria uma espécie de paródia aos filmes do grindhouse, como se deles ficasse só o aspecto mais tosco, que aqui vira piada. Parece uma sessão de esquetes, e só engrena como um filme grindhousiano lá pro meio, que é quando ele começa a acreditar naquilo que está filmando. No terreno da especulação, eu palpitaria que ele será gostado pelos fãs de filmes grindhouse, mas será muito mais curtido pelos não-fãs. É um filme divertido, na sua porra-louquice, e realmente tem um final muito bonito. Mas a sensação de ter visto alguém trocar os pés pelas mãos ao tentar homenagear um movimento como o da grindhouse e terminar tendo em muitos momentos quase feito pouco caso dele me foi inevitável.