sábado, outubro 27, 2007
A crítica
Algumas palavras sobre o debate da crítica. Primeiramente, vale dizer que ele se iniciou com uma fala do Leon Cakoff na coletiva de imprensa, e com uma resposta à fala num texto de Cássio Starling Carlos no Mais. O debate que aconteceu na Mostra não tocou nos textos da Folha, mas sempre passou pelo que foi resumido aqui, pelo que esses textos dizem.
Crise da crítica eu creio que não exista mesmo, a não ser que se pense numa crise mundial, e exclusivamente em grandes veículos, pois hoje, com o preço dos cinemas, as pessoas tendem a selecionar mais o que vão ver, e esse selecionar mais às vezes significa ver o filme melhor cotado no veículo que elas assinam (Folha, Estado, Veja...). Isso foi dito no debate.
Outra coisa dita, e que talvez aconteça, é a crise da cinefilia. Mas aí o culpado é novamente o preço dos ingressos, que faz com que filmes sejam baixados e vistos em casa, solitariamente. Vivemos, mais do que crise da cinefilia, uma crise do cineclubismo. O cinéfilo perdeu o hábito de ir a cineclubes, e os mais jovens não parecem brigar por isso. As distribuidoras cobrar caro por filmes de seu acervo em película, e não há tanta comunicação com cinematecas de outros países (como havia até os anos 90, por exemplo), o que torna a atividade cineclubística só valer a pena em projeções de dvds.
Para encerrar, podemos ver alguns sintomas do que Cakoff falou na própria mostra. Um filme que não recebeu crítica na Folha é visto por cerca de 100 pessoas, enquanto um que foi elogiado tem mais de 200 pessoas, fazendo lotar muito rápido as salas menores e quase lotando (ou lotando no último momento) o Bombril e o Cinesesc, salas de mais de 300 lugares. Com um número de filmes cada vez maior, o evento inibe a aposta no escuro, e faz com que o espectador seja cada vez mais levado pelas cotações de jornal.
Sobre as estrelinhas, tão criticadas por Cakoff: colocar um quadro de estrelas é algo tão velho e inofensivo que não dá para falar que faz com que espectadores fujam das salas (a não ser que a reclamação parta do exibidor, e mesmo assim é despropositada). O hábito de dar notas a filmes precede a crítica, e vem da cinefilia, do amor aos filmes, da necessidade de se tentar fazer uma medição desse amor, na comparação com as notas de outros filmes. É lúdico, passa uma coisa anterior ao exercício crítico, pois em conversas de bar, ou simplesmente entre uma sessão e outra, é inevitável nos confrontarmos com questãos sobre o gostei ou não gostei, e nisso já está embutido um juízo de valor, que pode, sim, se alterar no momento de escrever a crítica, mas que reflete um pouco do amadorismo que existe até no mais profissional dos críticos (amador não está sendo usado aqui como uma palavra depreciativa, muito pelo contrário - quem não é amador não pode nunca ser um bom profissional, a não ser que a palavra profissional seja algo bem depreciativo). Ou seja, o crítico que ama, o amador, aquele que tem prazer em ver filmes e escrever sobre eles, não pensa em evitar o lúdico que existe na cinefilia. O profissional - sem ser amador - se reveste de uma capa auto-indulgente que o afasta do público e o coloca numa posição professoral de dizer o que deve e o que não deve ser visto, baseado unicamente em seu repertório, nunca em sua paixão. Nada a ver com receber para fazer seu trabalho. Sejamos todos amadores então, profissionais ou não.
Crise da crítica eu creio que não exista mesmo, a não ser que se pense numa crise mundial, e exclusivamente em grandes veículos, pois hoje, com o preço dos cinemas, as pessoas tendem a selecionar mais o que vão ver, e esse selecionar mais às vezes significa ver o filme melhor cotado no veículo que elas assinam (Folha, Estado, Veja...). Isso foi dito no debate.
Outra coisa dita, e que talvez aconteça, é a crise da cinefilia. Mas aí o culpado é novamente o preço dos ingressos, que faz com que filmes sejam baixados e vistos em casa, solitariamente. Vivemos, mais do que crise da cinefilia, uma crise do cineclubismo. O cinéfilo perdeu o hábito de ir a cineclubes, e os mais jovens não parecem brigar por isso. As distribuidoras cobrar caro por filmes de seu acervo em película, e não há tanta comunicação com cinematecas de outros países (como havia até os anos 90, por exemplo), o que torna a atividade cineclubística só valer a pena em projeções de dvds.
Para encerrar, podemos ver alguns sintomas do que Cakoff falou na própria mostra. Um filme que não recebeu crítica na Folha é visto por cerca de 100 pessoas, enquanto um que foi elogiado tem mais de 200 pessoas, fazendo lotar muito rápido as salas menores e quase lotando (ou lotando no último momento) o Bombril e o Cinesesc, salas de mais de 300 lugares. Com um número de filmes cada vez maior, o evento inibe a aposta no escuro, e faz com que o espectador seja cada vez mais levado pelas cotações de jornal.
Sobre as estrelinhas, tão criticadas por Cakoff: colocar um quadro de estrelas é algo tão velho e inofensivo que não dá para falar que faz com que espectadores fujam das salas (a não ser que a reclamação parta do exibidor, e mesmo assim é despropositada). O hábito de dar notas a filmes precede a crítica, e vem da cinefilia, do amor aos filmes, da necessidade de se tentar fazer uma medição desse amor, na comparação com as notas de outros filmes. É lúdico, passa uma coisa anterior ao exercício crítico, pois em conversas de bar, ou simplesmente entre uma sessão e outra, é inevitável nos confrontarmos com questãos sobre o gostei ou não gostei, e nisso já está embutido um juízo de valor, que pode, sim, se alterar no momento de escrever a crítica, mas que reflete um pouco do amadorismo que existe até no mais profissional dos críticos (amador não está sendo usado aqui como uma palavra depreciativa, muito pelo contrário - quem não é amador não pode nunca ser um bom profissional, a não ser que a palavra profissional seja algo bem depreciativo). Ou seja, o crítico que ama, o amador, aquele que tem prazer em ver filmes e escrever sobre eles, não pensa em evitar o lúdico que existe na cinefilia. O profissional - sem ser amador - se reveste de uma capa auto-indulgente que o afasta do público e o coloca numa posição professoral de dizer o que deve e o que não deve ser visto, baseado unicamente em seu repertório, nunca em sua paixão. Nada a ver com receber para fazer seu trabalho. Sejamos todos amadores então, profissionais ou não.