terça-feira, outubro 30, 2007

Duas ou três linhas sobre alguns filmes da Mostra SP - parte I


Tebas, de Rodrigo Areias

Minha estréia com o pé esquerdo. O filme consegue ser ao mesmo tempo desleixado e pretensioso, exibido em um digital tosco que dava medo.

O Amor Pulsa Mais Rápido que Sangue, de Hideki Kitagawa

Um primeiro filme com muitos momentos talentosos, e uma atriz que está entre as musas do festival. Idéias visuais interessantes, mas uma falta de noção de quando terminar. O filme é curto, e dá a impressão que foi esticado na marra. A melhor exibição digital da Mostra.

Inútil, de Jia Zhang-ke

Poucos diretores trabalham com o espaço de maneira tão brilhante. É bem melhor que Dong, também por Jia se permitir explorar melhoros ambientes, e se libertar bastante da estilista que é a razão primeira do filme.

O Homem de Londres, de Béla Tarr

Muitos se incomodam com a rendição do cineasta à necessidade de narrar uma história. Mas o melhor plano vem dessa necessidade: o choro da mulher ao saber da possível morte do marido. É inferior aos outros filmes que eu vi do diretor - Danação e Satantango -, mas é um grande filme.

Vocês, os Vivos, de Roy Andersson

No mesmo estilo de Canções do Segundo Andar. São sketches mais ou menos independentes, que formam um painel com vidas calcadas na mais dura realidade, mas vividas num ritmo de sonho. É impressionante o que pode caber num plano de Andersson, e a primorosa seqüência da corrida de bagagens pesadas no saguão do aeroporto do filme anterior encontra eco em vários momentos do filme.

Lost Lost Lost, de Jonas Mekas

Inacreditável, ina-cre-di-tá-vel, ina... cre... ditá... vel. Caro diário, caro diário, caro diário.

Glória ao Cineasta, de Takeshi Kitano

A primeira metade é um deleite, lembrando os melhores momentos de seu filme anterior, Takeshi's. Depois, instala-se uma certa pasmaceira, quebrada por ocasionais momentos de gênio.

Savage Grace - Tom Kalin

A esta altura pouca gente se lembra de um filme afetado, mas muito talentoso, chamado Swoon, o Colapso do Desejo (que chegou a estrear no Cinesesc, ficando umas três semanas em cartaz). Savage Grace, do mesmo diretor, é quase tão bom, e surpreende pela maneira como Kalin consegue tocar em tabus sem ser impositivo, sem enfiar o efeito de choque goela abaixo. Algo que Almodovar também faz muito bem.

Caos, de Youssef Chahine e Khaled Youssef

Um filme todo ligeiro, em que os curtos momentos de grande invenção se sucedem com uma velocidade estonteante. Como o corte vem rápido, às vezes temos duas sucessões de planos geniais em menos de um minuto. O filme tem duas barrigas, uma na primeira e outra na segunda parte. Justamente quanto quer deixar de ser inventivo pra fazer andar a história. Curiosamente, é nesses momentos que a história pára. Como a invenção também pára, criam-se pequenas bolhas de ar. Não chega a ser um A Outra, mas é bem melhor que o anterior Alexandria Nova York.

Atrizes, de Valeria Bruni Tedeschi

Um filme simpático, sem dúvida. E Valeria é um assombro de atriz, com uma interpretação que lembra a de Gena Rowlands em Opening Night. Mas, sinceramente, colocar o gay do filme pra cantar "I Will Survive" (de Gloria Gaynor) numa versão descolada de intelectual parisiense é meio ridículo.

A Questão Humana, de Nicolas Klotz

Aprender a fechar os olhos para melhor sentir.

En la Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerin

Trem das Sombras em Strasburgo. O trem é um bonde super moderno, e os atores dentro dele, destacados de todo o entorno - graças às paredes de vidro do bonde - parecem flutuar pelas simpáticas ruas da cidade. Uma obra-prima, de fato.





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