segunda-feira, outubro 01, 2007
Go Go Tales
Acho Go Go Tales um filme bastante complicado. Mas complicado não no sentido de que existam complicações que prejudiquem o filme; e sim, complexo de ser visto e “compreendido”. Toda a ação ocorre na boate Paradise, mas em nenhum momento conseguimos dominar geograficamente esse lugar. A coisa toda é um tanto quanto enigmática; os espaços estão ali, são imagens extremamente fortes, porém pouco esclarecedoras. E isso parece-me extremamente importante para o filme: o Paradise é um labirinto de imagens e possibilidades, um mundo à parte do que chamaríamos de “realidade”. A única pessoa a parecer apta a dominar toda a capacidade “surreal” desse paraíso é Ray Rubin, personagem dos mais interessantes que vi surgir, uma figura tão enigmática quanto esse espaço que ostenta iluminado em sua entrada: “Ray Rubin’s Paradise”. E é exatamente isso: aquele é o paraíso de Ray, o lugar onde, com as mais diversas ações acontecendo, com um verdadeiro caos instaurado, esse homem consegue ir do momento de maior tranqüilidade a estouros emocionais latentes. No final, o monólogo mais que genialmente interpretado pro Willem Dafoe (inspiradíssimo a todo momento como Ray), chegando ao ápice com o sorriso ao achar o bilhete premiado – momento antológico, que fez o público romper em aplausos. Um filme com uma força estranha, mas muito presente, fruto de um cineasta que domina e se entrega como poucos ao que faz.