segunda-feira, janeiro 21, 2008
Cleópatra
O novo filme de Júlio Bressane é desconcertante, inconseqüente, aborrecido e genial em alguns momentos. Ora lembra uma sátira avacalhada de Tabu ou Os Sermões, ora se aproxima muito mais de um Derek Jarman que veio ao Brasil e se embebedou de Os Monstros de Babaloo. Quando é genial, pode ser Bressane rindo de si mesmo, ou indo a fundo na proposta estética de todo o seu cinema. Proposta que pede a participação exaustiva do espectador, que é convidado a montar o filme que se apresenta inflado a seus olhos. Quando é infame, fica ameaçado de jogar por terra qualquer possibilidade de empatia com o espectador. Com esse risco, Bressane fez um de seus filmes mais problemáticos e ousados. A simples escalação de Miguel Falabella, Bruno Garcia e Taumaturgo Ferreira já é uma declaração de intenções. Mas Bressane não se dá por satisfeito, e mostra, logo no começo, uma cabeça cortada, mostrando a que veio. Lembro apenas de A Agonia - seu melhor filme - a superar Cleópatra no quesito "quebrar o bom senso". Pena que nem tudo corra às maravilhas para que a ousadia funcionasse durante toda a projeção. Em alguns momentos o efeito sai pela culatra, e o que era para ser transgressivamente estúpido se torna apenas estúpido. E que me perdoem os inúmeros fãs da moça, mas não gosto do trabalho da Alessandra Negrini em boa parte das cenas.