sábado, outubro 21, 2006
Dois mestres, um humanista e um romeno novato
O dia prometia, e não desapontou. Comecei com um Dino Risi por mim desconhecido, Este Crime Chamado Justiça, interessante duelo entre dois astros do cinema italiano: Ugo Tognazzi (o juíz revoltado com a poluição que uma fábrica solta no canal) e Vittorio Gassman (o presidente da fábrica em questão). Um belo filme pessimista.
Depois, na mesma sala, um filme irmão: A Comédia do Poder, de Claude Chabrol. Novamente uma juíza (Isabelle Huppert) lutando contra uma engrenagem política complicadíssima. Chabrol continua com sua mise-en-scène fugidia, como na cena em que a câmera se desvia para o quadro, quando Isabelle diz que só quer ir pra casa descansar. E, na boa, é mais um Chabrol que lembra Manoel de Oliveira, muito menos nas composições, e mais nas escolhas de corte e na tônica dentro de cada cena - um exemplo perfeito seria o diálogo no hospital, sobre a semelhança de um médico com um padre, que leva ao questionamento de Deus. A câmera de Chabrol parece sempre escapar de uma composição mais rigorosa (e nisso ele difere do mestre português), mas, ao mesmo tempo, se esforça para captar algo que nunca imaginaríamos que seria captado - um carro estacionado, uma pessoa que passa no corredor e que parecia sair de cena, ou o quadro pendurado na parede. É mais um grande filme a comprovar que Chabrol está num ritmo invejável desde A Cor da Mentira, de 1999.
Em seguida, o guardião da humanidade Ken Loach, com o filme premiado em Cannes, e que, apesar de comprado, não estava com nome em português ainda: The Wind That Shakes the Barley. O filme tem seus momentos, e cresce quando nos acostumamos a ver Cillian Murphy como o herói. Mas é extremamente conservador nas opções narrativas, com taxa de invenção no nível zero.
Encerrei o dia com o simpático Como Eu Festejei o Fim do Mundo, primeiro longa-metragem profissional (segundo o catálogo) de Catalin Mitulescu. Mais um filme romeno a cavocar o fantasma de Nicolau Ceausesco, ditador que acumulava riquezas enquanto o povo padecia. A generosidade na hora de filmar as crianças é o ponto forte do filme.
Depois, na mesma sala, um filme irmão: A Comédia do Poder, de Claude Chabrol. Novamente uma juíza (Isabelle Huppert) lutando contra uma engrenagem política complicadíssima. Chabrol continua com sua mise-en-scène fugidia, como na cena em que a câmera se desvia para o quadro, quando Isabelle diz que só quer ir pra casa descansar. E, na boa, é mais um Chabrol que lembra Manoel de Oliveira, muito menos nas composições, e mais nas escolhas de corte e na tônica dentro de cada cena - um exemplo perfeito seria o diálogo no hospital, sobre a semelhança de um médico com um padre, que leva ao questionamento de Deus. A câmera de Chabrol parece sempre escapar de uma composição mais rigorosa (e nisso ele difere do mestre português), mas, ao mesmo tempo, se esforça para captar algo que nunca imaginaríamos que seria captado - um carro estacionado, uma pessoa que passa no corredor e que parecia sair de cena, ou o quadro pendurado na parede. É mais um grande filme a comprovar que Chabrol está num ritmo invejável desde A Cor da Mentira, de 1999.
Em seguida, o guardião da humanidade Ken Loach, com o filme premiado em Cannes, e que, apesar de comprado, não estava com nome em português ainda: The Wind That Shakes the Barley. O filme tem seus momentos, e cresce quando nos acostumamos a ver Cillian Murphy como o herói. Mas é extremamente conservador nas opções narrativas, com taxa de invenção no nível zero.
Encerrei o dia com o simpático Como Eu Festejei o Fim do Mundo, primeiro longa-metragem profissional (segundo o catálogo) de Catalin Mitulescu. Mais um filme romeno a cavocar o fantasma de Nicolau Ceausesco, ditador que acumulava riquezas enquanto o povo padecia. A generosidade na hora de filmar as crianças é o ponto forte do filme.