terça-feira, janeiro 22, 2008

Ainda Orangotangos


Como Leonardo Mecchi disse no debate de hoje, ao saber que o longa de Gustavo Spolidoro seria constituído de um único plano-seqüência, é inevitável o temor de que se trata da exploração de um fetiche, o que por si só não depõe contra o filme, mas serve para nos deixar com um pé atrás sobre seus procedimentos. Assim como Cléber Eduardo (que afirmou ter mudado de opinião depois de rever o filme), numa primeira visão, fiquei com a impressão de que o fetiche se sobressaiu, pois não havia motivo para que fosse assim filmado que não o do truque de estilo. Como ainda não o revi, devo ser fiel à minha primeira impressão.

O plano-seqüência, por limitar algumas possibilidades da dramaturgia, empobrece algumas relações entre os personagens, justamente no miolo do filme, que deveria mesmo ter seus momentos em "banho maria" - porque um filme feito de um só plano-seqüência não pode ser uma sucessão de clímaxes, sob o risco de perder o espectador em menos de metade da duração. Assim, alguns episódios soam arrastados, como o do casal que bebe perfume - com um "desfecho" que lembra uma cena de Faces, de John Cassavetes - ou oda menina que brinca com o porteiro de um prédio residencial e comercial.

Ou seja, apesar de ter uma unidade clara de estilo - o plano-seqüência - Ainda Orangotangos não deixa de evitar uma certa irregularidade típica dos filmes em episódios. Seu maior trunfo, evitar o tédio monocórdico, acaba se virando contra o filme, pois provoca uma gangorra de emoções de personagens ora engraçados, ora enfadonhos. A esperteza de Spolidoro foi deixar os melhores episódios para o começo e o fim, dando a impressão de que o filme é melhor do que realmente é.





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