sábado, janeiro 26, 2008
Meu Nome é Dindi e Sábado à Noite (novamente)
Sobre Meu Nome é Dindi ainda não escrevi. Um pouco porque senti que minha decepção estava em total desarmonia com o que todos os amigos presentes acharam do filme, um pouco por achar que o filme de Safadi preza muito mais o fluxo de emoções, e uma torrente de fúria e desejo de cinema (como bem notou Eduardo Valente) que estava muito além de minhas possibilidades para o dia (enfraquecido por uma crise de rinite que me impossibilitou de ver Otávio e as Letras, na sessão anterior - é nisso que dá interromper um tratamento que mal havia começado).
Este post é para dar conta de que os dois filmes cresceram na memória. Principalmente Sábado à Noite, de Ivo Lopes Araújo, que havia me decepcionado pela expectativa de um filme totalmente diferente - porrada no estômago, furioso - do que o que encontrei - filme de contemplação, tempos esgarçados. Como esperava algo muito menos palatável, demorei para entrar no clima do filme. A proposta já é suficientemente decodificada para platéias habituadas a acompanhar festivais, e por isso me causou essa ligeira frustração por não encontrar um verdadeiro OVNI. Com o tempo, percebi suas qualidades, sua habilidade em manter um tom único ao longo de todo o filme, sem fazer concessões ao que se espera de uma lanchonete noturna sendo filmada numa madrugada.
O filme de Bruno Safadi é um tanto mais complicado, pois a homenagem à Belair sugere um fluxo ainda maior de paixões - como foi levantado pelo próprio diretor em debate - do que o encontrado no filme. Não é o caso de querer que o filme seja algo que ele não quer ser, mas de tentar assimilar a frustração de expectativas - o motivo deste post. Uma coisa comentada por aqui é que acompanhar os debates fazem com que o filme se explique melhor em nossas cabeças. Entendo que às vezes isso aconteça, mas é mais raro do que se diz por aí. O filme se resolve melhor em nossas cabeças em qualquer circunstância, com ou sem debate. E é por isso que às vezes só entendemos o que achamos dos filmes depois da elaboração de um texto crítico. O debate serve para entendermos procedimentos, ouvirmos curiosidades, e estabelecer relações diversas, e às vezes para ajudar a melhor compreensão de um filme. O debate é parte do processo de aperfeiçoamento de nossa percepção, não um orientador.
Este post é para dar conta de que os dois filmes cresceram na memória. Principalmente Sábado à Noite, de Ivo Lopes Araújo, que havia me decepcionado pela expectativa de um filme totalmente diferente - porrada no estômago, furioso - do que o que encontrei - filme de contemplação, tempos esgarçados. Como esperava algo muito menos palatável, demorei para entrar no clima do filme. A proposta já é suficientemente decodificada para platéias habituadas a acompanhar festivais, e por isso me causou essa ligeira frustração por não encontrar um verdadeiro OVNI. Com o tempo, percebi suas qualidades, sua habilidade em manter um tom único ao longo de todo o filme, sem fazer concessões ao que se espera de uma lanchonete noturna sendo filmada numa madrugada.
O filme de Bruno Safadi é um tanto mais complicado, pois a homenagem à Belair sugere um fluxo ainda maior de paixões - como foi levantado pelo próprio diretor em debate - do que o encontrado no filme. Não é o caso de querer que o filme seja algo que ele não quer ser, mas de tentar assimilar a frustração de expectativas - o motivo deste post. Uma coisa comentada por aqui é que acompanhar os debates fazem com que o filme se explique melhor em nossas cabeças. Entendo que às vezes isso aconteça, mas é mais raro do que se diz por aí. O filme se resolve melhor em nossas cabeças em qualquer circunstância, com ou sem debate. E é por isso que às vezes só entendemos o que achamos dos filmes depois da elaboração de um texto crítico. O debate serve para entendermos procedimentos, ouvirmos curiosidades, e estabelecer relações diversas, e às vezes para ajudar a melhor compreensão de um filme. O debate é parte do processo de aperfeiçoamento de nossa percepção, não um orientador.