domingo, abril 13, 2008
BAFICI, dia 4: Experimentos
Uma das muitas vantagens de um festival como o BAFICI é que as apostas da curadoria terminam colocando certos experimentos num contexto mais amplo. Temos a oportunidade diária de encontrar com determinados filmes que mergulham com tudo dentro de suas propostas radicais. Neste sentido, é sempre bom poder retomar contato com o cinema de Shinji Ayoama, cuja exibição nos festivais brasileiros sempre foi bastante irregular. Seu novo filme Sad Vacation é dos seus melhores trabalhos.
O título se refere à canção que Johnny Thunders escreveu para o falecido Sid Vicious e o filme como todo tem uma construção bem musical, enfileirando situações com completa liberdade. No cinema de Ayoama não há contradição que não possa ser ultrapassada. Sad Vacation é um filme sobre responsabilidade e família que nunca chega a estes temas da forma esperada. Tramas importantes são abandonadas de forma seca, generosidade encontra uma profunda crueldade, um espirito quase à Capra convive lado a lado com uma violência latente. A sequência seguinte permanece sempre inesperada. É um trabalho sentido, personalissímo, mesmo que seu significado se mantenha com freqüência obscuro para nós. Enquanto o filme se move rapidamente rumo à desgraça, Ayoama atinge um tom surpreendentemente solar e se agarra a ele. Como a canção de Thunders que lhe dá nome, é de uma elegíaca alegria.
O BAFICI também inclui na sua programação este ano uma retrospectiva de Ken Jacobs, um dos principais nomes do cinema de avant garde americano, e ontem foi dia de conferir Tom, Tom, the Piper’s Son (69), uma de suas obras mais famosas. Jacobs parte de um filme do mesmo nome realizado em 1905 que assistimos na integra no começo e depois procede em desconstrui-lo. Durante mais de 90 minutos vemos cada frame do filme original sendo observado pelo cineasta por cada angulo; Jacobs avança, atrasa, da zooms, freeze frames, o filme se decompõe diante de nosso olhar. O mais elementar proto-cinema vira nas mãos de Jacobs um exercicio sensorial radical. Tom, Tom nos põe em contato com o lado mais material do cinema, nos obriga a reajustar nosso olhar e celebra o experimental inerente a qualquer filme.
O título se refere à canção que Johnny Thunders escreveu para o falecido Sid Vicious e o filme como todo tem uma construção bem musical, enfileirando situações com completa liberdade. No cinema de Ayoama não há contradição que não possa ser ultrapassada. Sad Vacation é um filme sobre responsabilidade e família que nunca chega a estes temas da forma esperada. Tramas importantes são abandonadas de forma seca, generosidade encontra uma profunda crueldade, um espirito quase à Capra convive lado a lado com uma violência latente. A sequência seguinte permanece sempre inesperada. É um trabalho sentido, personalissímo, mesmo que seu significado se mantenha com freqüência obscuro para nós. Enquanto o filme se move rapidamente rumo à desgraça, Ayoama atinge um tom surpreendentemente solar e se agarra a ele. Como a canção de Thunders que lhe dá nome, é de uma elegíaca alegria.
O BAFICI também inclui na sua programação este ano uma retrospectiva de Ken Jacobs, um dos principais nomes do cinema de avant garde americano, e ontem foi dia de conferir Tom, Tom, the Piper’s Son (69), uma de suas obras mais famosas. Jacobs parte de um filme do mesmo nome realizado em 1905 que assistimos na integra no começo e depois procede em desconstrui-lo. Durante mais de 90 minutos vemos cada frame do filme original sendo observado pelo cineasta por cada angulo; Jacobs avança, atrasa, da zooms, freeze frames, o filme se decompõe diante de nosso olhar. O mais elementar proto-cinema vira nas mãos de Jacobs um exercicio sensorial radical. Tom, Tom nos põe em contato com o lado mais material do cinema, nos obriga a reajustar nosso olhar e celebra o experimental inerente a qualquer filme.